Deixando a infância (2)

Outra das características que se sugerem em 1ª aos Coríntios como reveladoras da infância espiritual são os assuntos relativos aos apetites do corpo. Se lermos atentamente os capítulos 5 a 11 desta epístola observaremos que os principais problemas tratados aqui têm a ver com este assunto: O primeiro é o tema sexual, especificamente a fornicação, que parece ser o que preocupa o apóstolo nos capítulos 5 a 7, e em seguida o relaciona com a comida e a bebida, dos capítulos 8 ao 11.

Os problemas associados aos apetites do corpo são um sinal de imaturidade nos cristãos. Por isso quando Paulo escreve a sua primeira carta aos Tessalonicenses –uma igreja muito nova– toca nisto mesmo dizendo: "Porque esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que vos afasteis da fornicação, que cada um de vós saiba possuir o seu corpo com santidade e honra, e não dominado pela paixão, como fazem os gentios que não conhecem a Deus" (1ª Tes. 4:3-4. B. de Jerusalém). Tanto a fornicação como a gula são desordens físicas, apetites não controlados. Os cristãos têm que vencer estes assuntos, se é que aspiram deixar para trás a infância espiritual.

No capítulo 6, Paulo vai alternando estas duas coisas: no versículo 13 fala dos alimentos, e alguns versículos mais adiante fala da fornicação (v. 18). Inclusive quando toca nos assuntos do matrimônio, começa advertindo sobre as fornicações (7:2). No capítulo 8 torna a falar sobre os alimentos (v. 4, 13); e também no capítulo 9 (v. 4). O mesmo faz no capítulo 10, onde toma exemplos do povo de Israel, nos episódios associados à cobiça de comer carne, e às fornicações. (v. 6, 8). No capítulo 11, embora toque no tema da ceia do Senhor, os excessos que corrige têm a ver com o comer e o beber desordenadamente (11:21-22).

Aproximadamente no centro de toda a argumentação, Paulo expõe a solução ao problema. E o faz de maneira muito prática, como corresponde a crianças em Cristo: "Todo aquele que luta, de tudo se abstém ... desta maneira luto, não como quem golpeia o ar, mas esmurro o meu corpo, e o ponho em servidão, para que não seja que tendo pregado a outros, eu mesmo não venha a ficar reprovado" (1ª Cor. 9:25-27). Paulo não os leva às alturas da revelação –como faz com os Efésios, por exemplo– mas trata o assunto de maneira direta e prática.

É preciso tomar a decisão de parar e submeter o corpo para que seja servo do espírito e não o amo que governa a vida. Há uma causa superior –representada pela "coroa incorruptível"– que merece abster-se de tudo o que entorpece a carreira. Não se trata aqui de estoicismo com que alguns tentam obter a sua salvação – a salvação é gratuita, pela graça de Deus. Este "esmurrar o corpo" é com vistas ao reino – por isso é que fala de coroa. Desta maneira vai deixando-se para trás uma etapa de pequenez e avança para a plenitude.

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