A perda da liberdade (2)

Custa-nos tanto estar quietos! Presumimos ao pensar que se nós não fizermos ou dissermos algo, a obra de Deus sofrerá uma grande perda; que muito ficará sem fazer se não fizermos o que tão excelentemente sabemos fazer. Mas tudo isto é vaidade.

Efésios nos diz que Deus preparou de antemão as obras em que devíamos andar (2:10). Sem dúvida, não são nossas obras, mas sim as obras de Deus preparadas para que nós as realizássemos. Não o que nos ocorre, mas sim o que Deus preparou. E isto pode ser algo muito mais simples e modesto do que nos atribuíamos.

Quem faz a sua própria obra costuma carregar um grande nervosismo. Seu coração ansioso e inquieto não lhe permite ter paz. Pode inclusive contender com seus irmãos, por causa do seu zelo. Pretendendo fazer o melhor, cai no pior. Em vez de fazer a obra de Deus, fere aos amados de Deus, e destrói a obra de Deus.

Por isso, Hebreus nos chama a descansar das nossas obras, e entrar no repouso de Deus. "Porque o que entrou no seu repouso, também repousou das suas obras, como Deus das suas" (Heb. 4:10). Se tivermos consciência de estar fazendo a obra de Deus e não a nossa, podemos descansar. Deus tem tudo ordenado para a sua glória. E o que nós resta é nos alinhar com essa ordem; unir nossa vontade à sua.

Nós não temos liberdade para fazer ou dizer o que quisermos. O Senhor disse: "...quem fala por sua própria conta, busca a sua própria glória; mas o que busca a gloria daquele que o enviou, este é verdadeiro, e não há nele injustiça" (João 7:18). Muito temos feito para nós, por nossa conta, e para alcançar a glória dos homens. É preciso parar de uma vez e esperar a direção de Deus.

O Senhor não nos chamou primariamente para fazer coisas, mas sim para estar com ele, para ouvir-lhe, e receber as suas instruções. Todo verdadeiro serviço a Deus começa na quietude do seu silêncio, na intimidade do seu secreto. Ao dizer-lhe: "Eis-me aqui, envia-me a mim", não estamos preenchendo um requisito para sair em correria, mas sim estamos nos pondo ao seu dispor para que ele nos envie.

Paulo dizia: "Prefiro falar cinco palavras com o meu entendimento ... que dez mil palavras em língua desconhecida" (1ª Cor. 14:19). Parafraseando, poderíamos dizer: "Prefiro falar cinco palavras de Deus, no tempo de Deus, às pessoas escolhidas por Deus, do que dez mil palavras minhas, ditas a meu bel-prazer, e a quem me sucede". A obra de Deus não consiste em quantidade, mas sim em qualidade. Deus respalda só aquilo que se originou nele; só o que é seu tem vida. O nosso está morto, não tem virtude alguma, não salva nem edifica a ninguém. Só o que vem de Deus tem serventia.

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