Para a proclamação do Evangelho e a edificação do Corpo de Cristo
Ano 14 • N° 70 • Abril - Maio - Junho 2013

TEMA DA CAPA

Consagração e serviço

Um dos grandes perigos que corremos na vida cristã é vive-la de maneira leviana,
desprezando o nosso chamamento. A força espiritual reside em nossa consagração
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Luiz Fontes

 

Vamos colocar o nosso coração aberto à voz de Deus nestes dias, para permitir ao Senhor que nos lembre de alguns pontos em relação à consagração e o serviço que talvez tenhamos ignorado. Neste tempo, o Espírito de Deus está reivindicando à igreja do Senhor para que ela possa tocar as esferas mais elevadas do seu chamamento celestial.

A igreja nestes últimos dias tem sido seduzida por um poder estranho, corrupto, que tem agido secretamente para roubar os valores espirituais. Há um grande perigo no caminhar da nossa vida cristã sem perceber as erosões que pode estar ocorrendo diante de nós.

Olho para a nossa realidade no Brasil, e vejo como a igreja nestes últimos anos perdeu o seu foco, tem perdido a visão do eterno propósito de Deus. Como o inimigo tem usado artifícios sutis para capturar a igreja e ela não tem percebido! Quantas coisas sórdidas têm entrado dentro dela!

Amados irmãos e irmãs, nós podemos continuar como igreja, podemos prosseguir em nossa vida cristã, mas não tocar a vontade de Deus. Porque a nossa vocação pode se tornar um mero entretenimento espiritual. Podemos tomar as coisas sagradas e torná-las em questões religiosos. Por isso, creio que, nestes dias, o Senhor nos chama a considerarmos este assunto da consagração e do serviço na luz, na mente e vontade de Deus. Que o Senhor nos ajude e nos dê lições que possamos aplicar em nossas vidas.

                         

O contexto e a história de Sansão

«Os filhos de Israel voltaram a fazer o que era mau ante os olhos do Senhor; e o Senhor os entregou nas mãos dos filisteus por quarenta anos. E havia um homem de Zorá, da tribo de Dã, o qual se chamava Manoá; e sua mulher era estéril, e nunca havia tido filhos. Apareceu o anjo do Senhor a esta mulher, e lhe disse: Eis que tu és estéril, e nunca tiveste filhos; mas conceberás e darás a luz um filho. Agora, pois, não bebas vinho nem licor, nem coma coisa imunda. Pois eis que conceberás e darás a luz um filho; e navalha não passará sobre a sua cabeça, porque o menino será nazireu para com Deus desde o seu nascimento, e ele começará a salvar a Israel das mãos dos filisteus» (Juízes 13:1-5).

Neste capítulo começa a história de Sansão. Todos nós conhecemos a sua história. É importante que conheçamos todos os aspectos contextuais, toda a estrutura que envolve esta história. Não pensemos que o Senhor está apenas contando uma história. Necessitamos que o Espírito Santo nos ajude a tocar a mente de Deus nestas palavras. Existem aqui algumas questões sobre a vida de Sansão através dos quais o Senhor quer nos falar a respeito da consagração e serviço.

Por que Deus pôs esta historia na Bíblia, e com tantos detalhes? De todos os juízes de Israel, com exceção de Samuel, Sansão é aquele de quem a Bíblia nos dá mais detalhes. Por isso, temos que entender que Deus quer nos falar algo muito importante. Vamos aprender sobre o segredo da vida interior, o segredo da consagração e do serviço. Há dois pontos para considerar com vocês: Primeiro: por que Deus colocou a história de Sansão na Bíblia? E segundo, o segredo da vida interior.

Então para responder a primeira pergunta, temos que ver o contexto da vida de Sansão. Há um assunto muito interessante em Juízes 21:25: «Nestes dias não havia rei em Israel; cada um fazia o que bem lhes parecia». Este texto descreve o estado espiritual desse tempo. A história dos juízes é um dos períodos mais negros da vida do povo de Israel; um período de profunda apostasia e degradação espiritual. E ao estudarmos este livro do ponto de vista da nossa história atual, podemos encontrar muitos pontos em comum, especialmente no aspecto espiritual. Então vamos entender um pouco da história de Sansão.

Sansão viveu no tempo em que Eli era o sumo sacerdote. Nesse tempo, a Bíblia diz que a palavra de Deus era algo muito raro. O sacerdócio nesse tempo havia perdido o seu significado espiritual, e era praticado por pessoas que não exerciam as suas missões. O papel espiritual do sacerdote era apontar a obra e a pessoa do Senhor Jesus Cristo através das ofertas e sacrifícios. Tudo o que eles realizavam, todas as suas ministrações, apontavam para Cristo e sua obra. O papel deles não era meramente religioso, mas espiritual. Mas eles haviam perdido o foco do seu ministério. Agora Deus ia levantar um juiz para trazer Israel de volta para o seu chamamento e mostrar que eles eram uma nação consagrada.

Dentre todas as nações do mundo, Deus havia chamado a Israel para expressar o seu testemunho na terra. No tempo de Sansão, não só os sacerdotes, mas toda a nação havia perdido o seu chamamento. Aquele era um tempo de opróbio, um tempo em que o testemunho de Deus estava ofuscado devido à corrupção do sacerdócio e pela apostasia de Israel. E, o que Deus fez então? Deus levantou a Sansão, quando os filisteus estavam subjugando a Israel por quarenta anos.

«E a ira do Senhor se acendeu contra Israel, e os vendeu nas mãos de Cusã-Risataim rei da Mesopotâmia; e serviram os filhos de Israel a Cusã-Risataim por oito anos … E serviram os filhos de Israel a Eglom rei dos moabitas por dezoito anos» (Juízes 3:8; 14).

«Depois da morte de Eúde, os filhos de Israel voltaram a fazer o que era mau perante os olhos do Senhor. E o Senhor os deixou a mercê de Jabim rei de Canaã, o qual reinou em Hazor; e o capitão do seu exército se chamava Sísera, o qual habitava em Haroset-goim. Então os filhos de Israel clamaram ao Senhor, porque aquele tinha novecentos carros de ferro, e havia oprimido com crueldade aos filhos de Israel por vinte anos» (Juízes 4:1).

«Os filhos de Israel fizeram o que era mau diante dos olhos do Senhor; e o Senhor os entregou nas mão de Midiã por sete anos… E se acendeu a ira do Senhor contra Israel, e os entregou nas mão dos filisteus, e na mão dos filhos de Amom; os quais oprimiram e quebrantaram os filhos de Israel naquele tempo por dezoito anos… Os filhos de Israel voltaram a fazer o que era mau diante dos olhos do Senhor; e o Senhor os entregou nas mão dos filisteus por quarenta anos» (Jui. 6:1; 10:7-8; 13:1).

Israel esteve cento e onze anos oprimido debaixo dos seus inimigos. Você pode fazer uma ideia do que isso significa? Lembrem que Deus chamou a esta nação para expressar o testemunho de sua glória entre as nações. Quase três gerações viveram em Israel e não conheceram o propósito de Deus.

Sabe qual é a maior tragédia da vida? Não é a morte; é viver e não conhecer o propósito eterno de Deus. Agora Deus vai levantar um juiz para chamar a Israel de volta, para que Israel toque a sua vocação, para que Israel compreenda o seu chamamento. Por isso é que a história de Sansão está na Bíblia; por isso Deus chamou a este juiz, e Deus pôs tantos detalhes aqui para nos falar hoje.

 

A fonte da força espiritual

Um dos grandes perigos que corremos na vida cristã é vivê-la de maneira leviana, desprezando o chamamento espiritual. O que o Senhor nos mostra na vida de Sansão é onde reside o poder espiritual, onde está a nossa força espiritual. A força espiritual reside em nossa consagração.

Sansão não era um homem muito forte, fisicamente. Ele era um homem normal. A força estava em sua vida interior. E isto é o que o Senhor nos quer mostrar hoje. O inimigo trabalha de uma maneira sutil a fim de roubar o poder da nossa vida interior. O Senhor quer nos fazer lembrar isto hoje, porque somos a sua igreja, o seu povo exclusivo. Temos um chamamento celestial, estamos aqui como peregrinos; somos instrumentos por meio dos quais Deus quer alcançar o seu propósito.

Aquilo que Deus fez em seu Filho na cruz, sua morte e ressurreição, sua ascensão, sua entronização, constituem o fundamento de nossa vida e o nosso viver. Nossa vida não é uma vida qualquer. Nós não temos o direito de ser ignorantes ou de sermos levianos; não podemos brincar com o tempo. Pensem bem, cento e onze anos foram roubados de Israel; o inimigo tirou deles. Imagine viver a nossa geração e não tocar a essência do propósito de Deus para as nossas vidas.

Você é cristão só porque está fugindo do inferno? Você entende que há um propósito maior e isto tem haver com a nossa vocação celestial. Esta é a história de Sansão para nós. O Senhor capacitou a este homem com poder, deu-lhe algo muito especial. E ele realmente começou a servir ao Senhor, começou a ser usado por ele, mas foi banalizando a sua espiritualidade. Um dos maiores perigos sutis é não percebermos que estamos banalizando a vida cristã, banalizando o depósito do Senhor, banalizando a habitação do Espírito Santo, banalizando a palavra de Deus.

Nós podemos estar vivendo a vida cristã e não perceber que estamos vivendo religiosamente. O inimigo vai roubando o nosso vigor, a força, e assumimos uma vida cristã de entretenimento, de reunião em reunião, de conferencia em conferencia, mas nada muda. Enchemo-nos de conhecimento; podemos cantar muitas canções, memorizar textos e ler muitos livros; mas atrás de nós há um rastro de morte: o nosso casamento está se esfriando, os filhos estão se perdendo, e o mundo entrou em nossa casa. Há um grande vazio e necessitamos de algo novo que nos satisfaça; mas em seguida vem o vazio e uma rotina de frieza, de indiferença, de letargia e de apostasia.

 

Tempo perdido

Irmãos, isto está acontecendo em todos os cantos, porque o diabo tem roubado o tempo de Deus em nossas vidas, tem entulhado o nosso coração. Nós precisamos urgentemente que o Espírito Santo venha nos tocar, nos encher, e fazer algo poderoso dentro de nós, que tire as escamas dos nossos olhos e nos liberte do poder sedutor e sútil deste mundo que tem entrado em nossas vidas, e que tem roubado o poder espiritual e destruído a nossa consagração.

Nosso serviço ao Senhor tem sido feito em nossas forças, em nosso intelecto e não pela vida espiritual. A vida tem que governar todo o nosso serviço. Isto é sério. Cento e onze anos roubados! Quantas pessoas viveram em Israel e não puderam desfrutar do seu chamamento!

Irmãos, diante de Deus, você tem respondido o seu chamamento? Tem vivido de maneira digna de sua vocação celestial? Você pode até dizer: «Eu não sabia que tinha um chamamento; que havia uma vocação. Eu pensava que uma vocação era para quem foi a um seminário, para aqueles que fazem cursos teológicos e pregam a palavra? Os anciões e quem tem um encargo apostólico, eles sim; mas eu não».

Amados, na vida do Corpo, todos nós temos uma vocação, um chamamento coletivo e uma chamamento específico. Todos nós temos um encargo celestial. Como igreja do Senhor nesta terra, precisamos tocar a mente e vontade de Deus para saber a sua vontade. Nós não temos direito de viver a vida cristã aleatoriamente. Temos que viver esta vida governados pela visão celestial. Quando esta visão te toca, ela te cativa, te governa e te conduz para a luz, a mente e a vontade de Deus.

O último versículo do capítulo 16 de Gênesis diz que Abraão tinha 86 anos de idade quando nasceu Ismael. Gênesis 17:1 diz que ele tinha 99 anos quando Deus lhe falou. Note algo aqui, de um versículo ao outro desaparecem 13 anos da vida de Abraão. O Espírito Santo colocou isto para nos mostrar o perigo de como o inimigo pode roubar os nossos anos. Porque os anos são do Senhor e não nossos; são os anos para a nossa consagração a ele.

Treze anos perdidos. Ali não há nenhum altar, nenhuma experiência. O que ocorreu? Falando espiritualmente, ele misturou sua fé com a carne. Isto é uma sutil artimanha do inimigo, que levou o coração de Abraão a uma situação que ele não percebeu. Deus lhe havia prometido uma grande bênção, mas Abraão não teve discernimento espiritual daquilo. Deus lhe deu algo e o inimigo introduziu algo. Ele misturou a fé com a carne. Ismael é o resultado da fé misturada com a carne, e então temos treze anos perdidos.

Que o Senhor examine o nosso coração, e veja se existem anos que estão sendo roubados, se o inimigo está nos roubando o tempo de consagração e serviço. Isto é muito sério. Podemos estar servindo a Deus misturando a fé com a nossa carne. Isso não agrada a Deus, são anos perdidos, tempos roubados. Isto é o que o inimigo quer. Não deixe que o inimigo roube o tempo de Deus em sua vida.

A consagração é a fonte do serviço. Não há serviço sem consagração. Todo serviço sem consagração é mero ativismo. Aquilo que fazemos nas forças da nossa carne, da nossa mente, não é espiritual; não conseguimos tocar o propósito de Deus nem trazer a vontade de Deus, e Deus não é glorificado. Isto traz enfado, canseira, destruição e morte. Permita que o Senhor fale com o teu coração e te leve a refletir sobre a vida que tens vivido diante de Deus.

 

O propósito da história de Sansão

Agora compreendemos por que Deus colocou a história de Sansão aqui. Deus estava recordando a Israel a sua vocação, a sua consagração e serviço. Eles haviam perdido a sua visão celestial. Em I Samuel capítulo 4, quando a arca foi levada, diz que os filhos de Eli foram mortos, e diz que se foi a glória de Israel. É uma descrição triste do estado espiritual desse tempo e também do nosso tempo.

O Senhor está mostrando o perigo que podemos correr em nossos dias se não correspondermos ao nosso chamamento. Se o nosso serviço ao Senhor não tiver como fundamento a consagração, e estivermos perdidos em nosso chamamento e, com absoluta certeza a glória do Senhor poderá passar.

Não conheço bem a realidade da igreja no Chile; mas falo da experiência que tenho em meu país. Há uma apostasia profunda, há coisas que estão ocorrendo na igreja no Brasil que assustam. Quando menino, fui crescendo na vida da igreja, ouvi falar muito sobre a palavra apostasia. Tentava imaginar o que era a apostasia; mas quando a vejo hoje, nunca tinha imaginado algo assim. Há coisas que a igreja está fazendo hoje, as coisas mais absurdas. Em muitos países, a igreja se tornou mundana. Perdeu a sua vocação, o significado da sua consagração, e o inimigo conseguiu avançar.

Mas o Senhor não está de braços cruzados; ele está reivindicando a seu povo. Assim como um dia levantou a Jonatas e seu escudeiro para vencer a um grande exército (1 Sam. 14:6-15), assim hoje ele está levantando alguns que querem viver uma vida de consagração, para que o triunfo da cruz se manifeste através da sua igreja. E nós estamos aqui para isto.

Talvez alguns assuntos espirituais se tornaram mecânicos. Hoje exaltamos a sofisticação e a tecnologia, e não vimos que perdemos a simplicidade da vida cristã. Que o Senhor nos ajude e nos guarde, pois o inimigo está roubando o tempo de Deus. Que o inimigo não venha a nos roubar a realidade das coisas sagradas.

 

Três mulheres, três perigos

Na vida de Sansão, o Senhor vai nos lembrando tudo isto – o perigo da sedução do mundo, o perigo da carne e o perigo da vida natural. Sansão se relacionou com três mulheres; com uma se casou, com outra se envolveu, e outra o destruiu. Estas três experiências distintas nos falam de coisas muito sérias em nossas vidas, daquilo que é natural, daquilo que é carnal e daquilo que é maligno.

O perigo da vida natural é aquela que segue o seu curso sem Deus. Precisamos pôr a Deus em todas as esferas de nossa vida. E, quanto a nossa carne, não podemos confiar nela, porque ela não se converte. Nossa carne tem que ser dominada pelo poder da cruz de Cristo – a cruz em seu aspecto subjetivo: negar a nós mesmos. Nossa mente, vontade e emoções devem ser postas sob a cruz de Cristo.

A carne não agrada a Deus. Se você não der preeminência a Deus em sua vida natural, se não tiver consagrado a ele totalmente o seu casamento, seus filhos, seu trabalho; se tudo o que você tiver não por aos pés do Senhor, com certeza a carne vai governar. Você vai viver uma vida governada pela carne, vai ser governado por sua própria vontade, pelo pensamento do mundo.

E aí vem o terceiro passo: o poder desastroso do diabo. Ele vem matar, roubar e destruir. Joel 1:4 fala de quatro gafanhotos e diz: «O que deixou o gafanhoto cortador, comeu-o o gafanhoto migrador; o que deixou o migrador, comeu-o o gafanhoto devorador; o que deixou o devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor». Isto mostra o poder destrutivo do inimigo. E em Joel 2:25, o Senhor diz: «Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto migrador, pelo destruidor e pelo cortador».

O que esses gafanhotos estavam consumindo? O tempo, os anos de vida, a consagração, a vocação. Isto é o que o inimigo está destruindo. São os treze anos perdidos de Abraão e os cento e onze anos perdidos de Israel. Isto é o que o inimigo quer destruir, te levando a viver uma vida natural governada pela carne. E aí, com absoluta certeza, o inimigo entra e destrói tudo. Aí poderás ver a morte em seu casamento, em seus relacionamentos, na vida da igreja.

Irmãos, isto é muito delicado, porque podemos seguir uma vida cristã normal, pois sabemos organizar uma reunião, podemos pregar uma palavra, sabemos cantar, sabemos orar e até sabemos como nos quebrantar. A carne sabe dissimular todas estas coisas, mas não conseguem expressar vida naquilo. Isto foi o que ocorreu com Sansão. Ele foi banalizando sua consagração, seu chamamento. Estas três mulheres revelam isso. Por isso sua história é contada com tantos detalhes.

 

Dois contrastes

Quero particularizar algo mais. Na vida de Sansão vemos duas coisas: por um lado, o poder de Deus demonstrado de maneira impressionante e, por outro lado, o terrível poder sedutor do mundo e da carne.

Irmão, Deus nos deu o seu Espírito. Ele veio habitar em nós para realizar uma obra tão grande como foi a obra que o próprio Cristo realizou nos dias da sua carne. A obra do Espírito Santo não é menor que a obra de Cristo. Do ponto de vista de Deus, esta obra é tão importante como a obra de Cristo. Esse Espírito de habitação que está em nós não é uma coisa pequena. Antigamente, o Espírito vinha sobre Sansão e fazia coisas grandiosas. Quando olhamos para este homem, vemo-lo vencendo os seus inimigos, vencendo guerras; mas também o vemos fraco, carnal, suscetível a tantas quedas.

Na vida de Sansão, vemos a sua cobiça, vemos a sua carne governando a sua mente e o seu coração. Há uma grande lição para nós aqui. Vemos também a longanimidade do Senhor. Ele retarda a sua ira; ele não derrama a sua ira no momento exato em que o desagradamos. Ele é longânime. Você vai caminhando, mesmo sendo habitação do Espírito, ele vai te enchendo, te capacitando; mas, por outro lado, sua carne te leva a fazer coisas terríveis. Passa uma semana, um mês, um ano e estas duas realidades caminham juntas. A mente e o coração vão se tornando insensíveis, e você começa a misturar o espiritual com o carnal, e você pensa que Deus é tolerante. Mas Deus não é tolerante! Sansão é um aviso para nós.

Deus está nos dizendo: «Você está misturando o espiritual com o carnal. Se arrependa!». Tens que confessar que tens deixado que a tua carne te domine, que misturas o teu andar no Espírito com o andar na carne. Não subestime a Deus. Ele é Santo. Deus é sério; não podemos brincar com ele. Sansão nos mostra isso.

A Bíblia diz: «Não entristeçais… não apagueis… não resistais ao Espírito». Hebreus 10 diz que não podemos depreciar a obra do Espírito Santo, pois ele está aqui para fazer uma obra tão grande como foi a obra de Cristo; ele continua a obra do Filho. Ele é o Espírito da consagração. Não podemos banalizar isto. Por isso, Deus pôs a história de Sansão na Bíblia com tanto detalhe. Que o Senhor nos ajude!

Síntese de uma mensagem oral ministrada no Retiro do Trebol (Chile), em janeiro de 2013.