Para a proclamação do Evangelho e a edificação do Corpo de Cristo
Ano 14 • N° 70 • Abril - Maio - Junho 2013

VIDA CRISTÃ

A confissão pública de fé

Lições básicas sobre a vida cristã prática.

Watchman Nee

 

«Porque com o coração se crê para a justiça, mas com a boca se confessa para a salvação» (Rom. 10:10).

 

O tema da confissão deveria ser dado a conhecer ao novo crente o mais breve possível. Uma vez que alguém creu no Senhor, ele deve confessar o Senhor diante dos homens. Ele não deve ocultar a sua fé, mas deve confessá-la publicamente. A importância de tal confissão está estabelecida na Bíblia e deste modo avalizada por nossa experiência.

Suponhamos que um bebê não emita nenhum som depois de um, dois ou ainda três anos de idade. O que deveríamos pensar? Se ele nunca falar em sua infância, o mais provável é que será mudo por toda a vida. Se ele não puder chamar «Papai» ou «Mamãe» quando menino, possivelmente nunca o fará. Do mesmo modo, aquele que crê no Senhor deve confessá-lo imediatamente, ou será espiritualmente mudo toda a sua vida.

«Porque com o coração se crê para a justiça, mas com a boca se confessa para a salvação». A primeira metade tem haver com Deus, enquanto que a segunda metade tem haver com os homens. Ninguém pode ver se você tem crido ou não; mas se você vier a Deus crendo realmente, será justificado diante dele.

No entanto, se você crer em seu coração, mas nunca confessar com a sua boca, embora seja justificado diante de Deus, não será libertado do mundo. As pessoas deste mundo não te reconhecerão como uma pessoa salva. Eles te contarão como um dos seus, porque não verificaram nenhuma diferença entre você e eles. A este respeito, a Bíblia assinala enfaticamente que, além de crer com o coração, deve também confessar com a sua boca.

 

Vantagens da confissão pública

Uma clara vantagem de confessar publicamente ao Senhor consiste em salvar ao novo crente de muitos, muitos problemas futuros. Se ele não abrir a sua boca para declarar que ele tem seguido o Senhor Jesus e que agora ele é do Senhor, sempre será considerado pelos do mundo como um deles. Portanto, cada vez que eles decidem participar de assuntos sociais, pecaminosos ou carnais, o incluirão neles.

Por exemplo, se eles desejam jogar cartas ou irem ao teatro, convidarão o crente para participar com eles. Por quê? Porque o contarão como um deles. Ele pode sentir em seu coração que, sendo agora um cristão, não deve misturar-se com eles; contudo, ele não pode recusar-se, porque deseja agradar-lhes. Inclusive se ele as rejeitar uma vez, indubitavelmente o tornarão a convidar em outra ocasião. Cada vez ele deverá pensar em alguma desculpa; mas o problema seguirá sem ser resolvido. Quanto melhor seria se o cristão recém-nascido abrisse a bandeira no primeiro dia e confessasse que ele é um crente. Depois de confessar uma ou duas vezes, as incursões do mundo serão cortadas.

Se um novo crente não puder abrir a sua boca e confessar ao Senhor, permanecendo como um cristão secreto, ele terá dez vezes mais dificuldades que um cristão declarado. Suas tentações também serão dez vezes mais. Não poderá escapar da escravidão dos afetos humanos e dos laços do passado. Ele não poderá desculpar-se todo o tempo dizendo que tem uma dor de cabeça ou que está ocupado. Seria absurdo apresentar uma desculpa em cada ocasião.

Mas se ele mostrar a bandeira desde o primeiro dia, declarando que ele era antes um pecador, mas que agora recebeu ao Senhor Jesus, todos os seus colegas, companheiros de estudo, amigos e parentes notarão que tipo de pessoa ele é agora e não o incomodarão mais. Confessar ao Senhor nos salva de muitos problemas.

 

Vida mudada e confissão

Muitos crentes novos, especialmente aqueles que vêm de famílias cristãs, creem erroneamente que confessar com a sua boca não é essencial e que o que realmente importa é mostrar uma boa conduta. Sua teologia é que sua vida e sua conduta devem mudar; mas não veem importância em saber se sua boca mudou ou não. Estamos de acordo com eles em que, se a vida permanecer sem mudar, é em vão que a boca fale. Mas sustentamos que uma vida mudada sem uma confissão correspondente da boca é também inútil. A mudança na conduta não é um substituto para a confissão da boca.

Os novos crentes devem aproveitar a primeira oportunidade de levantar-se e confessar: «Creio no Senhor Jesus». Devemos confessar com a nossa boca. Se não o fizermos, o mundo pode imaginar muitas coisas a respeito de nós. Alguém pode pensar que simplesmente ficamos decepcionados, pelo qual tomamos uma atitude pessimista para a vida. Outro pode considerar que estamos enfastiados do mundo e até explicar nossa mudança filosoficamente sem sequer tocar no Senhor Jesus.

Devemos, portanto, nos levantar e declarar-lhes a verdadeira razão. A boa conduta não pode tomar o lugar da confissão com a boca; a boa conduta é necessária, mas a confissão é indispensável. Não importa quão boa seja a conduta de alguém, se não tiver confessado ao Senhor, sua posição é duvidosa; cedo ou tarde se verá envolvido no redemoinho deste mundo.

Alguns não se atrevem a confessar ao Senhor por temor em não poder perseverar até o final. Temem converter-se em objeto de chacota se depois de três ou quatro anos deixarem de ser cristãos. Portanto, preferem esperar uns anos; só então, depois de ter provado a si mesmos serem dignos, poderiam finalmente confessar ao Senhor.

A estes lhes dizemos: Se não te atreveres a confessar ao Senhor pelo medo de cair, certamente cairás. Por quê? Porque deixaste aberta a sua porta traseira; você já está preparado para o dia de sua queda. É muito melhor que te levantes e confesses que é do Senhor, porque isto fechará a porta traseira e te serás mais difícil voltar. Então terás uma melhor oportunidade para avançar em lugar de retroceder. Podes esperar seguir adiante.

Se alguém espera ter uma conduta melhor antes de confessar ao Senhor, o mais provável é que nunca em sua vida abrirá a sua boca. Ele será mudo inclusive depois que sua conduta for boa. É mais difícil abrir a sua boca se alguém não o fizer desde o começo.

Um fato que deve nos confortar é que Deus é o Deus que nos guarda assim como o Deus que nos salva. O que significa ser salvo? É como comprar algo. O que significa ser guardado? É como manter algo na mão. Quem jamais compraria algo para jogar fora? Se comprar um relógio, é porque está pensando em usá-lo.

Você não compra algo que logo vai desprezar. De igual maneira, quando Deus nos compra, é para nos guardar. Deus nos redime para nos guardar. Ele nos guardará até aquele dia. Ele nos ama tanto que deu a seu Filho por nós. Se não tivesse desejado nos guardar, ele nunca teria pagado um preço tão alto. O guardar é o propósito de Deus, é o plano de Deus. Portanto, não temas em se levantar e confessar.

Você não precisa preocupar-se pelo dia de amanhã, porque Deus se preocupará por ti. Tudo o que precisa fazer é se levantar e confessar com simplicidade que você pertence a Deus. Apenas se entregue em suas mãos. Ele sabe quando necessitamos de socorro e ele te confortará e te preservará. Temos a confiança maior em proclamar que Deus guarda aqueles que ele salvou. A redenção careceria de sentido se não incluir a preservação.

 

Nossa confissão e a confissão do Senhor

«A qualquer, pois, que me confessar diante dos homens, eu também lhe confessarei diante de meu Pai que está nos céus» (Mat. 10:32). É uma forma de agradecer ao Senhor por nos confessar a nós no futuro se o confessarmos a ele hoje. Hoje, diante dos homens que são como a erva do campo, confessamos a Jesus Cristo, o Filho de Deus vivo; mas naquele dia, quando o nosso Senhor retornar, ele nos confessará diante de seu Pai e diante dos seus anjos em glória. Se considerarmos difícil confessá-lo hoje, não será duro para ele nos confessar naquele dia?

«E a qualquer que me negar diante dos homens, eu também lhe negarei diante de meu Pai que está nos céus» (Mat. 10:33). Que grande contraste! Se é um incômodo para nós confessar diante dos homens que temos um Homem que está acima de todo homem, um Homem que é na verdade o Filho do Homem, como ele nos confessará diante de seu Pai quando vier com os seus anjos em glória? Sem dúvida, este é um assunto sério.

Lembrem, por favor, que em comparação com a confissão do Senhor a nosso favor naquele dia, confessá-lo não é absolutamente difícil para nós. Para ele, nos confessar, é desconcertante – porque nós não somos senão filhos pródigos voltando para casa. Não há absolutamente nada em nós mesmos. Quanto mais, então, o confessemos fervorosamente, sabendo que ele um dia nos confessará.

 Traduzido do Spiritual Exercise. (Christian Fellowship Publishers, 2007).