O arco nas nuvens

Quando a fé vê o arco nas nuvens, adora ao Salvador que está assentado à direita de Deus.

Henry Law (1707-1884)

"O meu arco tenho posto nas nuvens..." (Gên. 9:13).

O arco íris possui uma beleza que todo olho pode perceber. A terra se alegra quando recebe a sua visita dos vitrais da tormenta, e suas suaves matizes anunciam que as trevas passaram. Chega até as nuvens, como o arauto da claridade que retorna. A sua forma e a variedade de suas cores, ultrapassam todo louvor. Com admiração, devemos confessar que glorifica ao seu poderoso Criador.

Deus tem escrito o livro da natureza, e cada linha é uma lição santificante. O espírito iluminado canta: «Grandes são as obras do Senhor, buscadas por todos os que as querem».

Agradecimento

Mas a luz brilhante do arco íris vai ensinar que Deus planeja com sabedoria e atua com grande potencial. Para compreender o seu significado especial devemos considerar a sua origem. Retrocedamos, pois, e recordemos aquela primeira ocasião em que despertou o agradecimento de Noé.

Finalmente podia pôr os pés outra vez em terra firme, mas o ruído das torrentes transbordantes ressonava ainda em seus ouvidos, e sua vista seguia percebendo a grande desolação da paisagem. Tornaria a acontecer de novo? Cada nuvem parecia ameaçar ao mundo com uma catástrofe final. Cada gota podia abrir as comportas de outro dilúvio. Sim, o medo atormentava o seu ser.

Deixemos ao temeroso patriarca e nos fixemos em nosso Deus. A sua ternura, piedade e compaixão são gloriosas; ele guarda o seu povo com grande zelo. O seu misericordioso desejo é que eles repousem em paz perfeita, e nos convida que bebamos das águas tranquilas de um amor fiel. O seu desejo é que cada sopro da brisa nos traga um renovado gozo, e que cada sombra nos cubra com as suas asas protetora.

Mas, como o Senhor acalmará a ansiedade de Noé? Uma palavra, uma promessa do céu, bastaria. Mas Deus multiplica, não só o perdão, mas também a segurança. Quando a sua palavra brota, o faz com um selo permanente e revelador. Por isso, faz surgir uma nova maravilha daquelas nuvens. É um jorro sorridente que assegura à terra que as águas já não têm autoridade para destruir.

Esta maravilha é um arco que abraça o firmamento. Nesse pergaminho multicolorido pode-se ler: Agora as tormentas trarão fertilidade; se desencadearão não para ferir, mas para abençoar.

Como se formou esta maravilha? As obras do Senhor são sublimes por sua simplicidade. O sol olha por trás, e seus raios entram nas gotas que descem das nuvens. Em seguida chegam aos olhos divididos em muitas cores que desenham um arco sobre um fundo iluminado.

O céu seca as lágrimas da terra, e sua abóbada parece repetir: «Glória a Deus nas alturas, e paz na terra, boa vontade para com os homens!». Portanto, o arco é muito mais que uma evidência do poder e habilidade de Deus. É o selo do seu braço protetor; é a marca com que assegura o pacto: «E não haverá mais dilúvio de águas para destruir toda carne».

Um pacto

Mas a fé olha mais adiante. Sempre procura perceber a imagem do seu amado Senhor, porque aprendeu a grande lição de que toda a natureza reflete a beleza e glória de Jesus. Também tem lido o testemunho que afirma que ele é a «verdadeira luz», «o verdadeiro pão», e «a videira verdadeira». Por esta razão, pergunta com prontidão: Não é ele, então, a «testemunha fiel no céu?».

Enquanto a fé espera para ouvir a música evangélica do arco íris, ressonam claramente estas palavras: «Por um breve momento te abandonei, mas te recolherei com grandes misericórdias. Com um pouco de ira escondi meu rosto de ti por um momento; mas com misericórdia eterna terei compaixão de ti, disse Jehová o teu Redentor. Porque isto me será como nos dias do Noé, quando jurei que nunca mais as águas de Noé passariam sobre a terra; assim jurei que não me irarei contra ti, nem te repreenderei. Porque os Montes se moverão, e as colinas tremerão, mas não se separará de ti a minha misericórdia, nem o pacto de paz se quebrará, disse Jehová, que tem misericórdia de ti» (Isa. 54:7-10).

Aqui nos é revelada a grande profundidade do amor de Deus. Do mesmo modo que o dilúvio cobriu as mais altas montanhas, assim também esta certeza ultrapassa os cumes da vacilação e a dúvida. O pacto de Noé fica assim contrastado com o pacto de Jesus. O Deus que promete deter as águas representa o Deus que jurou salvação até o fim.

A terra a salvo de ser destruída pelas águas, é a igreja livre de toda ira. Mas se a segurança da primeira estava impressa no firmamento, a da segunda está em um selo de perpetuidade indelével: Jesus exaltado na glória celestial. E quando a fé vê o arco nas nuvens, adora ao Salvador que está sentado à mão direita de Deus.

Emblema de graça e verdade

Mas isto não é tudo. O mesmo arco que brilha nas primeiras páginas da Bíblia, continua com o mesmo fulgor até o fim. Em Apocalipse, João viu diante dele uma porta aberta no céu e, eis que, havia um trono estabelecido nele. E o que é que o rodeava? Em Apocalipse 4:3 lemos que era um arco íris.

Ao prosseguir a visão, também viu descer do céu um anjo forte, envolto em uma nuvem, com o arco íris sobre a sua cabeça (Apoc. 10:1). Vemos assim, na plenitude do Evangelho, segue-se escolhendo o arco íris como emblema da graça e da verdade que vieram por Jesus Cristo.

Como poderemos agradecer esta pérola acrescentada à nossa coroa de consolações? Agora, podemos procurar o nosso arco íris nas tormentas ameaçadoras. Nem sempre é visível no mundo natural, mas sempre brilha no mundo da graça. Quando nuvens negríssimas se abatem sobre nós, o Sol de Justiça, que não está oculto nem eclipsado, envia o seu sorriso, convertendo as gotas em um arco íris de paz.

Ilustremos isto com alguns exemplos da vida diária. Em nosso viajar por este deserto, o horizonte se obscurece, com frequência, com tempestades tais como a acusação da consciência, a falta de paz, as dúvidas e os problemas. Mas, depois desta cortina escura, o arco íris irradia com todo o seu poder.

Que triste é o dia em que a consciência começa a descarregar os seus golpes! Os espectros dos pecados cometidos se erguem diante de nós. Uma procissão de iniquidades passadas nos aterrorizam, anunciando que a morte eterna é o seu salário. Tão grande é o temor, que nos parece que a luz da vida já não existe.

O gozo retorna

Pode haver esperança quando os pecados tem sido tantos, e cometidos com pleno conhecimento? Pode haver esperança depois de tão terno perdão e cura tão misericordiosa? Em meio da tormenta, a fé olha para cima, e vai a Jesus, com os braços estendidos, diante do trono de Deus. Há um arco íris sobre a sua cabeça, e suas brilhantes cores parecem escrever: «Pai, perdoa-os». «O sangue de Jesus Cristo seu Filho nos limpa de todo pecado». A escuridão desaparece e o gozo retorna.

A ausência de paz também é uma nuvem carregada. O atalho do crente está cheio de angústias espirituais. Se hoje descansa com gozo nas encostas ensolaradas do Evangelho, amanhã se aterroriza diante dos trovões do Sinai. Davi se assenta hoje no primeiro lugar do banquete real, mas amanhã será um fugitivo na caverna de Adulão. A igreja se regozija agora na voz do Amado que chama dizendo: «Abre-me». Mas logo se lamenta: «O busquei, e não o achei».

Não posso me deter para investigar as causas destas anomalias, mas, com toda a certeza, a culpa está em nosso coração. A paz geme se for indulgente com aquele pecado; a comunhão celestial se interrompe quando se descuidam os meios santificantes. Entretanto, o arco íris de esperança que coroa a cabeça do Redentor aparece nessas horas áridas e proclama: «Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e pelos séculos». «Porque eu Jehová não mudo; por isso, filhos de Jacó, não haveis sido consumidos. Nunca te deixarei nem te abandonarei». Uma vez mais, as trevas se desvanecem e a claridade do gozo retorna.

Brilho e fortaleza

Os problemas nos apresentam, com frequência, como uma massa de nuvens. O peregrino queria subir ao monte de Sião, mas em ambos os lados se erguem rochas impossíveis de escalar; o mar se estende adiante e os egípcios acossam por trás. Como aqueles leprosos de Samaria, exclama: «Se tratarmos de entrar na cidade, pela fome que há na cidade morreremos nela; e se ficarmos aqui, também morreremos» (2 Reis 7:4). Crê encontrar-se na mesma angústia de Davi, a quem o inimigo tinha deixado amargurado e os amigos queriam apedrejar? (1 Sam. 30:6). Olhe para Jesus, e o Arco irá resplandecer. «A testemunha fiel e verdadeira» te anima a continuar, dizendo: «Este é o caminho, andai por ele». «Te farei entender e te ensinarei o caminho em que deve andar; sobre ti fixarei os meus olhos».

Também as dificuldades nos oprimem frequentemente. Moisés sentia isto, quando disse: «Quem sou eu para que vá a Faraó, e tire do Egito os filhos de Israel?». Mas, nesta nuvem, havia um arco que brilhou com esta promessa: «Vê, porque eu estarei contigo». E Moisés foi e triunfou.

As mulheres que foram ao sepulcro caminhavam preocupadas: «Quem nos removerá a pedra da entrada?». Avançando, viram brilhar o arco íris daquela nuvem, achando que a pedra já não estava. Paulo tremeu quando compareceu sozinho diante do tirano e sua corte. Mas também ali houve um arco que lhe fortaleceu: «Em minha primeira defesa ninguém esteve ao meu lado, mas todos me desampararam... Mas o Senhor esteve ao meu lado e me deu forças... Assim fui livrado da boca do leão».

Deus não te chamou, como a Noé, para que entres na arca da salvação? Se for assim, como Noé, podes também vislumbrar o arco íris em todas as suas provas e desânimos. Avance sem esmorecer, confiando no pacto de graça, porque nada poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus. Se crês que as águas já não podem tornar a destruir a terra, deves crer também que nem Satanás nem aquele pecado podem te arrastar para a perdição.

Sua vida está escondida com Cristo em Deus. O Deus eterno é o baluarte que te protege, e Cristo te rodeia com os seus braços. Enquanto Deus for Deus, e mais poderoso que Satanás, estará a salvo. Enquanto Cristo for o Cristo todo suficiente para redimir, estará a salvo. Satanás não pode arrancar o arco das nuvens, não pode tocar o trono de Jesus.

Acaso até os incrédulos não louvam a beleza do arco íris? Por desgraça, para eles, o arco íris não é um arauto de paz. É claro que anuncia que Deus é amor e verdade, mas um amor rejeitado não é um bom amigo, e uma verdade desprezada é um inimigo desumano. Quando o céu se escurecer, tremerão, porque a Verdade diz: «Sobre os maus fará chover calamidades; fogo, enxofre e vento abrasador». Que tremam enquanto o arco brilha, porque anuncia que Deus o tem posto como prova de que a sua palavra é inquebrável.

Olhemos para cima e para adiante. Aqui na terra não há arco íris sem nuvens ou tempestades. Aqui apenas vemos a Jesus com os olhos da fé. Mas muito em breve veremos o resplendor do arco íris de sua glória. E enquanto o contemplamos, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é (I João 3:2).

Do Evangelho em Gênesis.

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