A bênção

A fé vê em Jesus é o cumprimento desta profecia, pois toda esta bênção se encontra nele.

Henry Law (1707-1884)

“E serão benditas em ti todas as famílias da terra” (Gên. 12:3).

Nosso Pai celestial é amor, e a prova disso é o dom de seu Filho, porque Jesus é amor. A prova é que ele se deu a si mesmo. O Espírito é amor, e a demonstração está em que faz que Jesus entre no coração que tem fé.

A partir daqui as Escrituras aparecem modeladas por uma mão de amor, e se torna como um grande mapa que mostra as glórias do Senhor aos filhos dos homens. Cada página acrescenta um novo matiz a essa imagem esplendorosa. Cada personagem parece um arauto que precede a Jesus com uma nota que aumenta em clareza.

Profecia cumprida

Por isso, quando Abraão aparece das sombras da idolatria, lhe é anunciado o Evangelho instantaneamente e as boas novas ressonam potentes: “Em ti serão benditas todas as nações” (Gál. 3:8). A fé vê em Jesus o cumprimento desta profecia, porque quem a não ser ele é a bênção do mundo?

Quando o patriarca percebeu a verdade desta altura, pôde contemplar massas incontáveis de seres imortais que tinham recebido esta bênção através das eras sem fim. “Abraão seu pai se alegrou de ver o meu dia; e o viu, e se alegrou” (João 8:56).

Leitor, você gostaria de contemplar maravilhas semelhantes, e participar da mesma alegria? Desejaria ser abençoado nesta vida, na morte e por toda a eternidade? Você gostaria de viver cada dia com o sorriso favorável de Deus – repousar cada noite com o amparo das suas asas, e descer ao sepulcro se apoiando em seu braço, para passar além da morte e entrar na nova Jerusalém? Pois, toda esta bênção se encontra em Cristo.

Em todo momento de sua vida poderá elevar um coração tranquilo e dizer: O grande Criador é meu Pai; Jesus é meu Redentor; o Espírito é o Mestre, o Santificador, o Consolador que habita em mim; os santos em luz, são meus irmãos; os anjos são meus fiéis guardiões; meu lar é o céu, e a glória será a minha coroa.

Sim, toda esta bênção se encontra em Cristo. Mas sem ele não há bênção. A mão que abençoa permaneceria inerte, e muda a voz que promete, a não ser por ele. Tais são os fatos como aparecem nas raízes do Evangelho da verdade.

Transportados da lei para a graça

Poder-se-ia perguntar: Por que a bênção não pode descer sobre a terra se não for por meio de Jesus? O pecado é o obstáculo que intercepta o caminho. A bênção não pode entrar no canal até que uma força superior limpe o leito. Mas aquele pecado não se limita a obstaculizar. A maldição está nesta terra em que nascemos e, por isso, neste deserto vazio não chove senão a dor. Temos de ser transportados para o Éden da Graça para desfrutar do favor de Deus em abundância.

Há muitos que passam por esta vida sem ser advertido que estão no país da miséria. Se derem um valor a sua alma, examine comigo este caso solene. Deixemos de lado os preceitos do mundo. Que se ocultem os conceitos infantis de nossa frágil razão e que fale a Palavra do seu trono infalível e elevado, pois a sua sentença é clara e inequívoca. Nada pode obscurecê-la.

Eis aqui a decisão do Senhor: “Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas escritas no livro da lei, para fazê-las” (Gál. 3:10). Que voz mais terrível! Inclui a ti, porque fala de “todo aquele”. Esta rede envolve toda a humanidade. Nem as riquezas do rico nem a pobreza do pobre; nem a idade do ancião nem a juventude do adolescente; nem a cultura do sábio nem a ignorância do iletrado serão portas de escape. Nenhuma condição, qualidade ou êxito pode desculpar. Todo ser nascido de mulher, em toda latitude e época, está aprisionado por esta terrível sentença.

Não obstante, esta lei apenas proclama um mandamento: amor. Apenas requer isto. Mas sua amplitude cobre todo pensamento, e sua longanimidade abrange todo o tempo. “Ame a Deus”, diz, “e ame ao homem com toda a intensidade de sua mente, em todo momento de sua existência. Ame a Deus e ame ao homem de uma forma perfeita, sem decair nem te deter”.

O que ocorreria se fracassássemos neste empenho? Então o castigo é este: Serás maldito. Não é deixado lugar para desculpas, nem lágrimas, nem penitência, nem promessas de reforma. A desobediência significa maldição.

Não dê as suas costas para este assunto. Considera em que forma te afeta. Estou, acaso, acrescentando algo à Escritura? Certamente que não. Estou, então, exagerando? Não. Como poderia fazer mais horroroso o que já é imensamente terrível? Se olhares ao redor de sua prisão verá que seus muros são altos e não pode escalá-los. Parece que o terrível trovão ressoa: “Maldito sejas tu”.

Mas, no que consiste a maldição? É a acumulo eterno de toda a angústia que os recursos de Deus podem descarregar. É a corrente ardente que nasce no lago de fogo. É dor e angústia extremas. É a eternidade em total tormento. É o inferno. Este é aquele estado daqueles que não fugiram dos horrores do Sinai e morrem sem receber a bênção da graça salvadora que brota de Sião.

Trouxe-te para este vale tétrico, porque quero que vejas a Jesus “saltando sobre os Montes, saltando sobre as colinas” de bênção. Embora seja verdade que a lei desencadeia uma maldição desumana, não é menos certeza que a bênção que há em Cristo é tão extensa e eterna como a primeira. Jesus se coroa com espinhos, para poder dar ao seu povo uma coroa de glória.

Maravilhosa transação

Esta obra maravilhosa de transação foi levada a cabo no jardim e na cruz. Para isso, ele não negou as acusações, nem desejou uma mitigação, nem arguiu fraqueza; ao contrário, honrou e deu sublimidade à lei em alto grau. Com isso glorificou o mandamento como justo, reto e bom. Assim fica demonstrado, também, que a maldição é completamente merecida e deve ser enfrentada.

Jesus clama que todo o castigo desça, mas não sobre o pobre pecador, mas sobre Si mesmo. Oferece-se, como substituto, para suportar tudo, e tudo cai sobre ele. Foi feito maldição por nós. O último gole da taça da ira é consumido por ele, e nenhuma gota fica para aqueles a quem ele redime. Assim, pois, Jesus tira toda a maldição das mãos de Deus, e se apresenta como a Bênção do mundo.

Convidar-te-ia prazerosamente a que adorasse comigo a esta suprema Bênção. Mas diante de tal maravilha, todo pensamento e palavra não são mais que sombras. A liberdade seria uma bênção para um prisioneiro em cadeias; ou o perdão de um rei para um traidor sentenciado; ou os encantos de um país para o que retorna do exílio? Não é o alívio uma bênção para aquele atormentado pela dor; ou a voz da saúde para o que se debate em sua enfermidade; ou a vista para o cego? Não é o consolo uma bênção para o desconsolado; o descanso para o esgotado; o lar para o vagabundo; o pão para o faminto; ou a paz para o temeroso? Pois bem, tudo isto não é mais que um esboço superficial das bênçãos que abundam em Jesus.

Boas novas

Seria um prazer rebuscar nas Escrituras as repetições incessantes destas boas novas. Um breve exemplo nos basta: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda bênção espiritual nos lugares celestiais em Cristo” (Ef. 1:3). Nestas palavras não cabe mais nada por dizer.

Examine as riquezas da tesouraria da Graça. O crente pode dizer que esta herança é sua. É impossível medir essa corrente de ouro que se estende de uma mão de Deus no passado até a outra na eternidade vindoura. E, além disso, cada elo é uma bênção.

Contemple o céu estrelado. Esses círculos esplendorosos ultrapassam toda beleza, e seu número é incontável. O firmamento de Cristo é assim. Está cravejado de bênçãos, e milhões de mundos seriam de menos valor que a menor delas. Os olhos da fé as veem reluzir; são como uma constelação de perdão. “Em quem temos a redenção por seu sangue, o perdão de pecados”. Também vemos o brilho de nossa adoção na família de Deus: “Mas a todos quantos os receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus”.

Em seguida está a via Láctea da paz: “A paz vos deixo, a minha paz vos dou”, e o luzeiro do pecado destruído: “Deus, tendo levantado o seu Filho, o enviou para que vos abençoasse, a fim de que cada um se converta da sua maldade”. A justiça divina cintila mais uma vez: “E lhe chamará: Jehová justiça nossa”. A luz da vida anuncia: “E eu vos dou a vida eterna”. Nesse firmamento se encerra toda a glória: “A glória que me deste eu vos tenho dado”.

Temos, também, a posse de todo o bem presente e futuro: “Porque tudo é vosso... seja o presente, seja o porvir”. E por último nos dá a certeza de que nada nos danificará: “E sabemos que aos que amam a Deus, todas as coisas contribuem para o bem, isto é, aos que são chamados segundo o seu propósito”.

Refugio em Jesus

Tal é a grande multidão de bênçãos que o crente contempla com calma. Mas, são tuas? São se tiveres encontrado refúgio nesses braços de Jesus que ministram a bênção. Se não, tome cuidado, porque o seu destino será a escura noite da maldição.

Talvez eu esteja me dirigindo a algum ministro do Senhor. Nesse caso devo dizer que, como Jesus, estás para tropeço e recuperação de muitos. Se quiser fazer de sua obra um ministério de felicidade, fale de Cristo ao seu rebanho. Pregue a Cristo com clareza, com plenitude, só a ele, a tempo e fora de tempo. Guie-os do deserto maldito aos únicos pastos onde se podem encontrar as verdadeiras bênçãos.

Se for um pai, você ama a seus filhos. Mais de uma vez tem pedido com olhos úmidos e coração ansioso que o Senhor os abençoe. Pois bem, ensine a eles a Cristo. Se omitires isto, qualquer outra instrução não fará mais que acrescentar dor à maldição, e preparar o caminho do inferno.

Se tiveres amigos que estimas como sua própria vida, farás qualquer trabalho rapidamente se com isso contribuir para o seu bem-estar. Lembre que o que não é amigo da alma é na realidade um inimigo. Para ter amizade com uma alma terá que guiá-la a Cristo.

Talvez ocupe um cargo de responsabilidade e, seja na família ou no trabalho, há quem dependa de ti. Como é natural, você se preocupa por seu bem-estar e o proporciona. Por outro lado, eles esperam a sua ajuda e você os brinda. Até aqui tudo bem. Se este mundo fosse tudo, seria uma bênção para eles. Mas o mundo que realmente importa é o que está além da morte. Por isso, para ser uma verdadeira bênção, deve atrai-los ao conhecimento, à fé, ao amor e ao serviço de Jesus.

Suponhamos que pertença a um nível mais humilde. Nesse caso pense que muitos dos melhores servos do Senhor eram pobres, e não obstante tornaram a outros ricos. Sua língua emite muitas palavras cada dia, e cada palavra chega a algum ouvido e possivelmente a algum coração. Deves crer que suas humildes palavras podem ministrar graça e bênção ao servir de canais que transmitam a salvação de Jesus.

Seja quem fores não despreze estas grandes verdades – o Espírito dará testemunho ao seu espírito de que a Bênção de todos os povos da terra é também a bênção do seu coração. Permaneça nele, e a Bênção de Abraão, o amigo de Deus, será tua: “Te abençoarei e engrandecerei o teu nome”.

Mas não poderemos imaginar no que consiste essa bênção até que ouçamos as suas boas-vindas: “Vinde benditos de meu Pai, herde o reino preparado para vós desde a fundação do mundo”.

Do Evangelho em Gênesis.

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