Uma tripla descida à glória

O homem crê que, para alcançar a glória, tem que ascender;
mas o exemplo de Cristo é totalmente o oposto.

Rubén Chacón

"Haja, pois, entre vós os mesmos pensamentos que houve também em Cristo Jesus, o qual, sendo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se aferrar, antes, despojou-se a si mesmo, tomando forma de servo, feito semelhante aos homens; e, achado em seu aspecto exterior como homem, humilhou-se a si mesmo ao se fazer obediente até a morte e morte de cruz. Por isso, Deus também o exaltou ao máximo e lhe outorgou o nome que é sobre todo nome, para que, ao nome de Jesus, dobre-se todo joelho dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra; e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai" (Flp. 2:5-11).

Esta passagem é como a medula da preciosa epístola de Paulo aos Filipenses; é a parte central e fundamental, e nela é respondida todas as inquietações descritas nesta carta.

Conflitos na igreja

A igreja em Filipos, como todas as igrejas locais, tinha dificuldades. Não há igreja local que não tenha conflitos. E não somente as igrejas, mas também a obra do Senhor. E esta epístola reflete muito bem tanto os problemas a nível da obra como a nível das igrejas locais. Revisemos alguns.

Paulo, escrevendo da prisão em Roma, diz no capítulo 1.15 de Filipenses: «Alguns, na verdade, pregam a Cristo por inveja e contenda; mas outros de boa vontade». E o versículo 16 diz: «Estes anunciam a Cristo por rivalidade, não sinceramente, pensando acrescentar aflição às minhas prisões». Escrevendo a uma igreja local, ele denuncia como se dão estes conflitos a nível da obra.

«Nada façais por rivalidade ou por vanglória; mas por humildade, estimando cada um aos demais superiores a si mesmo…» (2:3). Ele sabe que na igreja local há irmãos que fazem as coisas para serem vistos. Que grande desafio é olhar para os outros como superiores a si mesmo! Não é algo que se possa alcançar humanamente; só a graça de Deus pode nos levar a esse nível.

«Espero no Senhor Jesus logo enviar-vos Timóteo, para que eu também me sinta animado ao saber de vosso estado;porque a ninguém tenho de igual afeição, e que tão sinceramente se interesse por vós» (2:19-20). Entre todos os obreiros, Paulo só contava com um. «Porque todos buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus» (v. 21).

«Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos dos que mutilam o corpo» (3:2). Esta é uma forte declaração. Os «cães» aqui não se refere aos animais, mas aos maus obreiros e aos judaizantes. «Porque por aí andam muitos dos quais vos disse muitas vezes e também agora o digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo» (3:18), denuncia Paulo.

O sentimento de Cristo

Qual é o sentimento que pode nos tornar unânimes? «Haja, pois, entre vós os mesmos sentimentos que houve também em Cristo Jesus» (2:5). A quem recorrer para superar os conflitos das igrejas? Só Cristo é a resposta. Ele é a fonte de toda graça, o socorro para que estas as deficiências sejam superadas.

«Haja, pois, em vós este sentimento». A palavra sentimento, no grego, é froneo. Parece que esse verbo pertence mais ao âmbito do pensamento que do sentimento. Algumas versões traduzem este termo como mentalidade, maneira de pensar, ou atitude. Muitas das dificuldades das igrejas seriam solucionadas se tivéssemos a atitude ou a mentalidade de Cristo.

Examinemos e admiremos este sentimento único de Cristo, que jamais outro homem manifestou na terra. Isto é o que Paulo nos propõe como fonte de graça para superar as nossas dificuldades.

A descida à glória

Os versículos 6 ao 8 de Filipenses 2 nos falam da tripla descida de Cristo à glória. É como uma pequena escada de três degraus. Para que serve uma escada? A primeira coisa que nos vem à mente é: para subir a um lugar. Mas também serve para descer de um lugar alto.

Nos versículos que examinaremos há três etapas neste sentimento de Cristo, no qual ele se despojou, se esvaziou, esteve disposto a descer. A primeira descida diz: «despojou-se a si mesmo» (2:7). Essa foi a primeira decisão que ele tomou para manifestar a nós o seu sentimento.

Em seguida há um segundo momento em que ele desce até mais: «humilhou-se a si mesmo» (2:8). E em terceiro lugar, ele aceitou a morte de cruz, «fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz» (2:8). Nestes parágrafos está a síntese do sentimento de Cristo. São três momentos cruciais em que ele esteve disposto, não para ascender, mas para descer. Parece que para alcançar a glória temos que ascender; mas o exemplo de Cristo é que temos que descer.

O Senhor deixou um ensino para nós. «Mas qualquer que a si mesmo se exaltar será humilhado; e qualquer que humilhe a si mesmo será exaltado» (Mat. 23:12). E Pedro exorta em especial aos jovens: «Humilhai-vos, pois, sob a poderosa mão de Deus, para que Ele vos exalte, a Seu tempo» (1 Ped. 5:6). Este é o caminho para Cristo, e portanto, para todos nós, para alcançar a glória.

E a passagem lida termina dizendo: «Pelo qual…», ou seja, porque houve em Cristo este despojamento, esta descida, «Por isso, Deus também o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que é sobre todo nome». Assim nele se cumpre perfeitamente o ensino de Mateus 23:12. Bendito seja o Senhor!

Estes são os três momentos que agora comentamos. São apenas três versículos, mas de uma grande riqueza e profundidade. As palavras sempre se tornam limitadas. Como poderemos apreciar realmente o que significaram para o Senhor essas decisões? Não é possível captar isto sem o Espírito Santo. Que ele ilumine o nosso entendimento para vermos a Jesus em uma dimensão cada vez maior.

Cristo Jesus é igual a Deus

Tal é a riqueza de revelação que há aqui, que quase temos que ir palavra por palavra. Cada frase seria necessária nos deter por muito tempo.

O versículo 6 começa a desenvolver este sentimento que houve em Cristo, dizendo primeiro: «o qual, sendo em forma de Deus, não estimou o ser igual a Deus como coisa a que aferrar-se» (v. 6). Cristo Jesus existia na forma de Deus. A versão NVI diz: «sendo por natureza Deus».

O apóstolo Paulo começa a revelar o sentimento de Cristo nos dizendo que Ele é Deus, que existia na forma de Deus. A frase que segue explica o que Paulo entende por «forma de Deus», dizendo: «o qual, sendo em forma de Deus, não estimou o ser igual a Deus». Ao proclamar a Cristo, que ele existia na forma de Deus, Paulo está dizendo que Cristo Jesus era igual a Deus. Se o Pai é eterno, Cristo Jesus é eterno; se o Pai é onipotente, Cristo Jesus é onipotente; se o Pai é incriado, Cristo Jesus é incriado; se o Pai é santo, Cristo Jesus também é santo.

Mas o que ele quer dizer com respeito a essa forma de Deus? Diz que Cristo Jesus não teve essa qualidade de Deus como algo ao qual agarrar-se. Quer dizer, ele não teve a consideração a tal ponto que não pudesse desprender-se de sua qualidade divina. Não era para ele algo ao qual não pudesse renunciar.

Despojou-se a si mesmo

O que pode haver mais elevado no universo que, por natureza, ser Deus? E nosso bendito Senhor Jesus não teve a consideração desse fato glorioso, como algo do qual não podia soltar-se. Para um homem terreno, desprender-se de suas riquezas é algo impossível. Mas para o Senhor foi possível despojar-se de sua qualidade divina. Isto é algo extraordinário. Bendito é o Senhor!

Se ele não se dispusesse a deixar a sua qualidade de Deus, nunca teria sido feito homem. Ninguém poderia obrigá-lo. Ele se despojou em um ato livre, consciente e voluntário. Ele estava disposto a desprender-se. Então, não deve ser nossa atitude o estar dispostos a nos despojar de nossas posições, de nossas ambições? Nós, em lugar de olhar para outros como superiores, procuramos nos colocar acima dos irmãos, e isto fazemos em coisas sem importância.

«Despojou-se a si mesmo» (v. 7). A expressão despojar-se no grego é kenó. Daí vem a palavra kenosis. Assim é chamado na teologia a esta primeira descida, a esta primeira decisão que o Senhor tomou de forma livre e voluntária. É um verbo fácil de compreender, mas aplicá-lo a Cristo não é tão fácil, porque o verbo despojar-se, no grego, significa que ele se esvaziou de si mesmo.

Cristo existia na forma de Deus. O que significa que se esvaziou de si mesmo? Significa que ele deixou de ser Deus? E então, quando se manifestou como homem, os que estavam diante dele estavam apenas diante de um mero homem? O Novo Testamento Interlinear traduz o verbo kenó como «se aniquilou». Aniquilar-se é tornar-se nada. Esvaziou-se de si mesmo, se fez nada.

Então, estávamos diante de um simples homem? Não. Sendo Deus, ele não podia deixar de sê-lo. Então, ele se rebaixou voluntariamente, esvaziou-se, mas não da natureza divina, mas se despojou de sua glória. Ele não deixou de ser Deus, mas renunciou dos seus privilégios divinos.

Vivendo como homem

Tratando de entender este mistério insondável, dá-nos a impressão de que o Senhor Jesus, como ele não podia deixar de ser Deus, podia fazer algo: ao tomar a natureza humana, em sua vida terrena, não dependeria de sua condição divina, não faria uso da natureza divina. Não podia deixar de ser o que era, mas podia renunciar dos seus privilégios e dos seus poderes divinos.

Então, uma vez que adotou a natureza humana, como ele pôde viver de maneira tão gloriosa? Dependendo apenas da natureza humana? Não. Ele foi cheio do Espírito Santo, por meio do qual viveu a vida terrena. Ele foi feito um verdadeiro homem, mas como tal, podia acessar a todos os recursos disponíveis para os filhos de Deus, da mesma forma que nós. Ele viveu cheio do Espírito, como você também pode viver. Ele usou a Palavra, tal como você pode usar a palavra de Deus que é a verdade.

O Novo Testamento é claro para explicar que tudo o que o Senhor fez em sua vida terrena foi por meio do Espírito Santo. Ele era Deus, e não se podia desprender de sua natureza divina; mas não usou esta condição para fazer tudo o que fez na terra. «Eu pelo Espírito de Deus expulso os demônios» (Mat. 12:28), assim como você e eu podemos fazer.

Pedro diz: «Vós sabeis… como Deus ungiu com o Espírito Santo e poder a Jesus de Nazaré, e como este andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos pelo diabo» (Atos. 10:37-38). E quando finalmente se oferece ao Pai para fazer o sacrifício pelo pecado, diz Hebreus 9:14: «o qual mediante o Espírito eterno se ofereceu a si mesmo sem mancha a Deus». Ele não deixou de ser Deus, mas não usou os seus atributos divinos, mas dependeu totalmente do Pai por meio do Espírito Santo.

Quando o Senhor foi tentado por Satanás, em Mateus capítulo 4, Satanás queria que Jesus usasse o seu poder divino. «Se tu és o Filho de Deus, diga que estas pedras que se convertam em pão» (Mat. 4:3). Se Jesus tivesse caído nessa tentação, então ele não poderia ter sido o nosso representante.

O irmão Atanásio, no século IV, diz: «O que o Senhor não assumiu, também não foi redimido». Se o Senhor ia redimir a natureza humana, então tinha que agir plenamente como homem em tudo. Então, o fato de não se agarrar a sua condição divina não vale apenas para o momento em que ele renunciou a usar a natureza divina, mas aplicou durante toda a sua vida terrena.

No meio da tentação, Jesus tinha fome, depois de jejuar quarenta dias. Ele poderia prover-se de pão, mas não o fez. «Está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus» (Mat. 4:4). Ele era Deus, mas respondeu a Satanás com a Palavra, como verdadeiro homem, em seu lugar e em meu lugar. De mesma maneira você e eu podemos responder às tentações.

Quando ele foi crucificado, qual era o último intento de Satanás? As pessoas que passavam embaixo da cruz, zombavam dele, dizendo: «Se tu és o Filho de Deus, desce da cruz» (Mat. 27:40). Esse foi o momento mais difícil. Pendurado em um madeiro, naquele momento podia lançar mão da sua qualidade de Deus. Satanás, ao ver-se perdido, está tratando de tentá-lo através daqueles zombadores. Mas o nosso Senhor dependeu absolutamente do Pai em tudo, embora as dificuldades fossem extremas.

Um ato sublime de amor

«...despojou-se a si mesmo» (Flp. 2:7). Ninguém o obrigou. Ele não se despojou por pressão, mas de maneira livre, consciente e voluntária. Um autor diz: «Nem sequer esteve pressionado pelo dever moral de ter que salvar a sua criação». Alguém poderia pensar que Jesus –sendo o instrumento através do qual Deus criou todas as coisas, o Verbo, a palavra criadora de Deus– se sentisse responsável por salvá-los, por havê-los criado. Mas ele não foi pressionado por este dever moral.

Então, por que o fez? A única resposta é: Por amor! Não há outra explicação. É óbvio que isto foge a nossa compreensão, mas a Escritura declara que o fez por amor. Como expressar este amor? É um amor que não mede preço, que não tem limites, que não poupa sacrifícios.

Tomando a forma de servo

«Despojou-se a si mesmo, tomando a forma de servo» (v. 7). Notem o contraste: ele existia na forma de Deus; despojou-se a si mesmo, e tomou a forma de servo. O que significa «forma de servo»? A frase seguinte esclarece: «Feito semelhante aos homens». Ou seja, para ser semelhante aos homens aos quais devia salvar, ele teve que tomar a forma de servo.

Isto nos chama a atenção, e se torna também uma frase complexa. Se disséssemos que deixou a forma de Deus e tomou a forma de homem, entenderíamos melhor. Mas, por que diz que para ser feito semelhante aos homens teve que tomar a forma de servo? Por que usa a palavra servo em vez de homem?

Isto se torna mais complexo quando vemos que a palavra servo, no grego, é doulos, escravo. Ou seja, para ser feito semelhante a nós ele teve que tomar a natureza de escravo. Ele tinha que redimir os homens que se tornaram escravos do pecado, do mundo e de Satanás, escravos da carne e de suas paixões. Será que é por essa razão que ele tinha que tomar a forma de escravo?

Um irmão cita um fato que explica isto. Ocorreu durante o avivamento morávio. Alguns jovens, impactados pelo sentimento de Cristo, ofereceram-se para ir evangelizar uma ilha que era habitada apenas por escravos. E para entrar no meio daquele ambiente, eles mesmos se venderam como escravos. E essa decisão não foi temporária, mas por toda a vida. E isso é o que o Senhor fez. Ele não era escravo, mas se fez escravo, para trazer a nós a boa notícia da redenção, porque éramos escravos.

Jesus, ao assumir a nossa condição, não tomou a natureza de Adão antes da queda, mas a natureza depois da queda. E embora não tivesse pecado nele, ele se submeteu a todas as consequências da queda. Nós, ao contrário é que pecamos, estávamos vivendo as consequências do nosso pecado. «O salário do pecado é a morte» (Rom. 6:23). Essa era a nossa realidade. Mas ele, sem ter pecado, foi feito pecado por nós, e experimentou essas consequências em seu próprio corpo, ao ponto que quando tomou a forma de escravo, tornou-se mortal. Sendo Deus, ele passaria pela morte.

Enfrentando a tentação

Quando Adão e Eva enfrentaram a tentação, eles estavam vivendo nas melhores condições, em um mundo onde tudo era paz, harmonia e gozo, rodeados de toda árvore deliciosa à vista e boa para comer. Ali não existia a fome, e eles conviviam pacificamente com todos os animais.

Agora, Mateus 4:1 diz: «Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo». O último Adão devia enfrentar a tentação; mas ele não foi levado ao paraíso, mas ao deserto, pois o paraíso ainda não existia. «E depois de ter jejuado quarenta dias e quarenta noites, teve fome» (Mat. 4:2). Não só teve que enfrentar a tentação no deserto, mas com fome. «E estava com as feras» (Mar. 1:13). Aquele já não é o mundo original criado por Deus. As coisas mudaram. Mas o glorioso é que, onde Adão fracassou, Cristo venceu!

Aquilo que Adão não pôde superar em ótimas condições, nosso Senhor saiu vitorioso nas condições mais adversas, usando as mesmas armas espirituais com que contam todos os filhos de Deus: cheio do Espírito Santo e usando como espada a poderosa palavra de Deus. Glórias ao Senhor!

Humilhado até a morte

«E estando na condição de homem, humilhou-se a si mesmo» (Flp. 2:8). Esta ação de humilhar-se não é a mesma de despojar-se a si mesmo. É outro momento. Ele se despojou a si mesmo quando existia na forma de Deus, mas agora, decidiu humilhar-se a si mesmo na condição de homem.

E o que significa humilhar-se a si mesmo? A frase que segue o explica. «Fazendo-se obediente até a morte». Outra vez se trata de um ato livre, consciente e voluntário, feito apenas por amor.

Hebreus 10:7 diz: «Então, disse: Eis aqui venho, ó Deus, para fazer tua vontade, como no rolo do livro está escrito de mim». O Senhor tomou uma decisão: representando o gênero humano, ele se ofereceu para fazer o que você e eu jamais fizemos – obedecer perfeitamente a Deus.

Uma das grandes dívidas da raça humana é que nunca ninguém agradou plenamente o coração do Pai. Até vendo os melhores homens da Bíblia, nenhum deles podemos dizer que tiveram uma obediência perfeita. Eles foram vidas com luzes e com sombras, igual a você e eu, até que apareceu o nosso bendito Senhor Jesus, que estando na condição de homem, humilhou-se a si mesmo e se fez obediente até o último dia de sua vida.

Nenhum ser humano, antes ou depois dele, obedeceu perfeitamente a vontade de Deus agradando o coração do Pai para sempre. E isso o fez em nossa representação. Nossa obediência sempre será imperfeita, mas a obediência de Cristo sempre é perfeita. Assim ele saldou a dívida que o homem tinha com Deus. Nós não podíamos pagá-la; mas ele a pagou.

Nossa dívida tinha duas partes. Uma delas era que nós não tínhamos feito o que precisávamos fazer. Mas ele tomou o nosso lugar, e «pela obediência de um, muitos serão constituídos justos» (Rom. 5:19). A sua obediência foi contada ao nosso favor, e hoje podemos nos apresentar diante do Pai com a obediência perfeita de Cristo homem, tomando o nosso lugar e nos redimindo.

A morte de cruz

«Fazendo-se obediente até a morte». E Paulo enfatiza: «e morte de cruz». Não qualquer morte. É a última decisão, a última etapa na descida de Cristo à glória. Assim estamos tentando balbuciar este mistério. Alguém que é Deus, não só se faz homem, mas toma a forma de escravo, e nessa condição se humilha e se faz obediente até a morte, aceitando do Pai morrer crucificado.

A segunda dívida nossa era a necessidade de expiar tudo o que não deveríamos ter feito, e que fizemos. A sua obediência supriu a primeira parte da dívida, fazendo o que nós tínhamos que fazer e não fizemos; mas com a morte de cruz ele expiou o que fizemos e que não devíamos ter feito. Para expiar nossas desobediências, maldades e iniquidades, ele tinha que morrer na cruz.

Por que morrer crucificado? Porque esse era o preço do resgate. A palavra resgate ou redenção indica que para um escravo obter a libertação alguém tinha que pagar. E este resgate foi morrer crucificado. A Escritura antecipava: «Maldito de Deus é aquele que for pendurado em um madeiro» (Deut. 21:23). Ele tinha que morrer, não como um herói destacado, mas como um maldito, pagando o preço da nossa maldade.

«Cristo nos redimiu da maldição da lei, feito por nós maldição, porque está escrito: Maldito todo aquele que é pendurado em um madeiro» (Gál. 3:13). Quem não obedecia a Deus ficava debaixo da maldição da lei. Para nos redimir dela, Cristo foi feito maldição por nós.

«despojou-se a si mesmo… humilhou-se a si mesmo… e foi obediente até a morte, e morte de cruz». Aceitou morrer com a morte mais ignominiosa, mais vergonhosa e mais vil. Até este ponto o nosso Senhor esteve disposto a humilhar-se e a descer. Com razão, Paulo não pode terminar aí, e conclui: «Pelo qual Deus também o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome».

Há um Homem assentado à mão direita de Deus! Louvado seja o Senhor!

Síntese de uma mensagem oral ministrada em Rucacura (Chile), em janeiro de 2019.

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