Semeando com lágrimas

Quando a Palavra é poesia inspiradora e ao mesmo tempo uma espada que transpassa.

Gonzalo Sepúlveda

"Quando Jehová fizer voltar o cativeiro de Sião, seremos como os que sonham. Então a nossa boca se encherá de riso, e nossa língua de louvor; então dirão entre as nações: Grandes coisas tem feito Jehová com estes. Grandes coisas têm feito Jehová conosco; estaremos alegres. Faz voltar o nosso cativeiro, Oh Jehová, como os arroios do Neguebe. Os que semearam com lágrimas, com regozijo segarão. Irá andando e chorando o que leva a preciosa semente; mas tornará a vir com regozijo, trazendo seus feixes" (Salmo 126).

No início da nossa carreira cristã, cantávamos muito a letra deste Salmo, embora talvez sem muito conhecimento. Era uma esperança de algo que ocorreria no futuro, sem saber na realidade o que o Senhor faria conosco. Hoje, pela graça do Senhor, há uma nova medida de entendimento desta palavra que é poesia e ao mesmo tempo profecia. Como poesia, é algo lindo que pode tocar as nossas emoções, mas como profecia pode também nos transpassar como uma espada de dois fios.

Cativeiros e libertações

Na versão Reina-Valera 1960, o sentido dos primeiros versículos é de esperança, de algo que ainda terá que acontecer. «Quando Jehová fizer voltar o cativeiro de Sião, seremos como os que sonham», algo que está no futuro.

Curiosamente, outras versões o dão como realizado. «Quando o Senhor fez voltar os cativos de Sião, fomos como os que sonham. Então a nossa boca se encheu de riso, e nossa língua de brados de alegria; então disseram entre as nações: Grandes coisas tem feito o Senhor com eles» (LBLA).

A história do povo de Israel é uma história de cativeiros e de libertações. A entrada de Jacó com seus filhos no Egito é um relato comovente. Ele tinha temor de ir para lá, mas Deus lhe disse: «Não temas de descer ao Egito, porque ali eu farei de ti uma grande nação» (Gên. 46:3), e depois eles voltariam a tomar a sua terra.

No princípio eles tiveram muitos privilégios no Egito. Mas, passado o tempo, transformaram-se em escravos. Entretanto, depois vemos como Deus libertou o seu povo através de Moisés e Josué. Quando o exército de Faraó foi sepultado no mar, como se alegraram e cantaram! Na verdade, pôde-se dizer: «Grandes coisas tem feito o Senhor com eles».

Passado o tempo, também houve dias de muita glória e vitória, como no reinado de Davi, ou a construção do templo por Salomão. Na época de ouro de Israel, todas as nações podiam declarar: «Grandes coisas tem feito o Senhor com eles».

No entanto, mais adiante, por causa da sua idolatria, de novo foram levados cativos. Na Babilônia, eles penduraram as harpas nos salgueiros, sem poder cantar os cânticos de Sião! Mas houve homens que choraram e clamaram esperando a sua libertação, e aquele dia também chegou. Foram tempos de restauração, e até os seus inimigos tiveram que reconhecer: «Deus está com eles» (Nee. 6:16), porque um punhado de judeus piedosos retornaram para reconstruir a cidade santa de Jerusalém.

Realmente a mão de Deus estava com eles, porque eram um povo profético, e através deles viria o Messias, nosso bendito Senhor Jesus Cristo. Assim é a história de Israel. E o que dizer de Israel atualmente! Ainda está fresca a memória do Holocausto. Nunca na história se viu algo tão terrível. Entretanto, hoje, os seus líderes atribuem a prosperidade da nação ao Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Hoje também o mundo pode dizer: «Grandes coisas tem feito o Senhor com eles».

A habitação de Deus

O equivalente a Sião no Novo Testamento, segundo ensina o irmão Stephen Kaung, é o Senhor morando em nós; é a vida de Cristo em nós. A própria Bíblia ajuda a explicar a Bíblia. No Salmo 132:13 lemos: «Porque Jehová escolheu a Sião; a quis por habitação para si. Este é para sempre o lugar do meu repouso; aqui habitarei, porque a tenho desejado». Que lindas palavras!

E em João 14:23, uma palavra muito familiar para nós, o Senhor diz: «Aquele que me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos morada com ele». Que bendita realidade é Cristo em nós! É o cumprimento do Salmo 132. O Senhor escolheu a Sião como habitação para ele. Deus não habita em templos feitos por mãos humanas!

Que contraste é tudo isto! Os judeus levantaram o magnífico tabernáculo, mas a profecia diz: «O céu é o meu trono, e a terra estrado dos meus pés; onde está a casa que me haveis de edificar, e onde o lugar do meu repouso?» (Isa. 66:1). Aquilo era figura do que viria mais adiante, isto é, a igreja, esta riqueza inescrutável, fruto do evangelho.

Paulo diz isto com profundidade, em uma linguagem superlativo: «O mistério que havia estado oculto dos séculos e gerações, mas que agora foi manifestado aos seus santos, a quem Deus quis dar a conhecer as riquezas da glória deste mistério entre os gentios; que é Cristo em vós, a esperança de glória» (Col. 1:26-27). Não é lindo isto?

«Grandes coisas tem feito o Senhor conosco». Os redimidos do Senhor, nós os que somos de Cristo e o temos como Senhor e Salvador temos este testemunho permanente, porque conhecemos as suas obras a nosso favor.

Também, esta é uma das belezas deste Salmo: há coisas consumadas e outras que ainda faltam para se completar. Isto esperamos: que ali onde vivemos, estudamos ou trabalhamos, outros possam dizer com verdade: «Grandes coisas tem feito Deus com eles». Que, sem necessidade de palavras, seja evidente que Cristo está em nós.

Deus operando

Agora pois, o que o Senhor tem feito por nós? Vamos resumi-lo em apenas um versículo: «Porque Deus, que mandou que das trevas resplandecesse a luz, é o que resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo» (2 Cor. 4:6).

Esta palavra tem um antes e um depois. O antes, é apenas trevas. É impossível ouvir esta palavra e não lembrar de Gênesis. «Deus mandou que das trevas resplandecesse a luz». Antes daquilo, havia apenas caos, trevas, confusão. Nós éramos pessoas que não tínhamos direção, mas Deus iluminou os nossos corações. E aí está o depois: aquelas grandes coisas que tem feito Deus conosco. Glórias ao Senhor! Ninguém poderá gloriar-se em si mesmo dizendo: «Eu procurei, eu tinha fome de Deus». Deus é que fez! Foi ele quem olhou para nós com amor e resplandeceu dentro dos nossos corações.

As trevas fugiram; a luz prevaleceu. Mas, que luz? Isto é tão preciso, tão perfeito: «…resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo». Deus nos revela pondo em primeiro lugar, o seu Filho. Ele é o Alfa e a Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o último; que era, e o que é, e o que há de vir. Que maravilhoso!

E também este versículo diz: «na face de Jesus Cristo», o rosto do Senhor. O que significa para nós o rosto do Cristo crucificado? Ele estava padecendo por nós. Ele pagou o preço do resgate. Olhando para ele, com o Espírito de sabedoria e revelação que Deus nos dá, a nossa alma descansa. Graças ao Senhor por nossa eterna redenção!

E o que dizer do rosto de Cristo ressuscitado! Que tremendo é isto, que iluminação, que grande riqueza! Quando Paulo descreve em 1 Coríntios cap. 15 ao Cristo ressuscitado, parte com o pobre argumento dos incrédulos. «Mas, se se prega de Cristo que ressuscitou dos mortos, como dizem alguns entre vós que não há ressurreição dos mortos? Porque se não houver ressurreição de mortos, tampouco Cristo ressuscitou. E se Cristo não ressuscitou, vã é então a nossa pregação, vã é também a vossa fé» (1 Cor. 15:12-14).

Rapidamente Paulo despreza esse argumento ignorante, e produz uma verdadeira explosão de vida dentro dele, ao declarar com autoridade: «Mas agora Cristo ressuscitou dos mortos; sendo ele as primícias dos que dormiram. Porque, assim como por um homem veio a morte, também por um homem a ressurreição dos mortos. Porque assim como em Adão todos morrem, também em Cristo todos serão vivificados. Mas cada um em sua devida ordem: Cristo, as primícias; em seguida os que são de Cristo, na sua vinda» (vv. 20-23).

E o apóstolo termina dizendo: «Então virá o fim, quando entregar o reino a Deus e Pai… para que Deus seja tudo em todos» (vv. 24, 28). Porque a revelação, a iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Jesus Cristo está tão arraigada em seu coração, como uma riqueza tão profunda.

E o que dizer do Senhor ascendido, assentado à mão direita da Majestade nas alturas, que vive para interceder por nós diante de Deus! Todas as passagens que temos usado como referência são parte dos tesouros que temos no Cristo poderoso e glorioso. E o que dizer do Cristo eterno, cujo rosto é como o sol quando resplandece em sua força, e sua voz como o estrondo de muitas águas! (Apoc. 1:16).

«Grandes coisas tem feito o Senhor conosco». Que esta palavra nos provoque, desperte o nosso coração: é «o evangelho das inescrutáveis riquezas de Cristo». O Senhor diz: «Eu conheço a tua pobreza (mas tu és rico)» (Apoc. 2:9). Esta riqueza é nossa, é o próprio Cristo.

Uma aparente contradição

Retornemos ao Salmo: «Faz tornar o nosso cativeiro, Oh Jehová, como os arroios do Neguebe» (Sal. 126:4). Este versículo é uma aparente contradição, mas na realidade não é.

Dissemos na primeira parte que o Senhor já nos restaurou. Mas aqui roga para ser restaurado. Ou seja, há uma obra que já foi feita, mas há algo pendente. Há um cativeiro do qual já fomos libertados, mas há outro cativeiro que ainda parece nos oprimir.

«Faz tornar o nosso cativeiro». Aqui há um contraste: que sendo tão ricos, às vezes vivemos como pobres. Que, sendo Cristo em nós a esperança de glória, ainda nosso rosto não o reflete. Que, tendo nós uma chamada celestial, tendo adiante uma carreira, uma batalha, às vezes parecemos cristãos derrotados e sem rumo.

Muitas vezes somos traídos pelo nosso caráter, e aparecem áreas escuras que outros desconheciam. E Deus prepara circunstâncias das quais gostaríamos de fugir, mas os servos mais experimentados aconselham: Não trate de fugir daquilo que te queima; em vez disso, que o Senhor te mostre por que está acontecendo essa situação. O Senhor regula tudo, dosando o fogo da provação.

Você já se sentiu como sendo nada e que perdeu tudo? O fogo tira as impurezas que não percebemos. Mas Deus, que nos conhece, quer nos ver puros, e nos purifica pelo fogo da provação, para que a nossa fé seja achada como ouro puro (1 Ped. 1:7). Quantas vezes uma circunstância difícil, serve para que aflore uma soberba escondida!

Tal como os judeus, em nossa carreira passamos por duros cativeiros, tempos em que não temos forças para falar com ninguém. Mas também temos visto dias preciosos, em que o rio flui e o fogo arde. Quando isto ocorre, nada nem ninguém pode calar o nosso testemunho. Assim é a nossa história, como a de Israel, uma história de cativeiros e de libertações, de dor e de alegria.

Sião é a riqueza da habitação gloriosa e poderosa de Cristo em nós. Então, o nosso clamor tem que ser: «Faz voltar, Senhor, o nosso cativeiro, porque esse tesouro escondido que temos, está cativo em nós». Algo do nosso eu, da nossa soberba natural impede que a vida flua. Já não se trata do inimigo faraônico ou babilônico. Egito para nós é o mundo que supomos já termos deixado, e Babilônia é o sistema religioso do qual também fugimos, escapando da aparência para vir para a realidade que é o Senhor.

Mas, até estando posicionados em Cristo, não somos espirituais de maneira automática. A cruz não pode ser recusada, a morte tem que operar para que a vida flua. Um irmão nos dizia: «Tenho uma dor intensa quando Cristo não age por mim; quando eu é que faço, e nessa minha ação, em vez de produzir vida produzo morte e confusão». A vida que está em nós diz: «Isso não foi adequado».

Rogo de restauração

«Faz tornar o nosso cativeiro, Oh Jehová, como os arroios do Neguebe». Na geografia de Israel, Dã está ao norte e Berseba ao sul, e junto à Berseba está o Neguebe. No hemisfério norte é mais calor que a zona sul, e em tempos de seca os arroios do Neguebe se secam. Mas também existem tempos belos, quando a chuva vem, então o leito seco torna a ter água, e se houver água, há vegetação e há vida.

Mas a poesia aqui se transforma em profecia. Como o Senhor nos vê hoje? Será que estamos passando por um tempo de seca, em que os rios de água viva deixaram de fluir? Deste modo seremos estéreis, ou nossos frutos serão maus; em vez de trazer alegria, traremos dor, e nossa vida espiritual se transformará em uma miserável rotina. Mas nosso Deus não nos chamou para isso.

Que o Senhor desperte esse clamor em nós: Faz voltar, Senhor, o nosso cativeiro como os arroios do Neguebe! Você e eu fomos feitos para sermos um rio. Jesus disse: «Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva» (João 7:38), referindo-se ao Espírito Santo que viria.

Não fomos chamados para ser um rio seco. Que seja insuportável quando sentirmos a secura; resistamos quando a seca ameaçar, porque o nosso Deus é fonte de águas vivas. «Jehová… manancial de águas vivas. Cura-me e serei curado, salva-me e serei salvo» (Jer. 17:13-14). Se estivermos secos, o que o mundo verá?

Nestes dias foi-nos dito que o desafio dos primeiros cristãos era estar dispostos a morrer por Cristo, e muitos morreram por sua fé. Graças ao Senhor pelos mártires. Mas o grande desafio de nossos dias não é morrer, mas viver a vida de Cristo. Precisamos ser libertados para que o mundo veja um brilho que ainda não viu, ouça um testemunho que ainda não ouviu, e possa ver uma glória que ainda não foi expressa.

Temos que sentir dor no coração e até chorar por isso, quando vemos irmãos ocupados com causas políticas, enredados em questões sociais, como se isso tivesse alguma razão ou algum ganho. Quão facilmente nos desviamos de Cristo!

Fomos feitos para ser um rio que flui e flui. A água de Sua palavra esteve nos regando, e tem nos feito muito bem. Restaura-nos, ajuda-nos, faz-nos orar, faz-nos desejar que o Senhor venha, faz-nos desejar ver a igreja gloriosa. Quando alguém diz: «Sim, no geral, como igreja, estamos bem», mas, será que na realidade essa igreja não está seca? O Senhor nos liberte! Entesouremos a sua palavra, porque através dela, os rios tornarão a fluir.

Lágrimas e regozijo

«Os que semearam com lágrimas, com regozijo segarão. Irá andando e chorando o que leva a preciosa semente» (Sal. 126:5-6). Os que cultivam os campos não semeiam qualquer semente, mas aquela que lhes dá garantia de qualidade. Mas esta é a preciosa semente: o evangelho das inescrutáveis riquezas de Cristo. Quando esta é bem semeada, produz fruto.

O semeador só tem que semear generosamente. Os camponeses antigos levavam uma cesta cheio de grãos, pegavam um punhado e o lançavam, passo a passo, até semear todo o campo. Que linda figura!

A preciosa semente é como uma perda, algo que vai para a morte. O semeador se desprende de algo valioso, lança-o na terra, e esquece. Em seguida vem a chuva que rega a terra, passa o tempo, e nascem os brotos. E aquele que fez bem o trabalho, colhe a trinta, a sessenta e a cem por um, porque a semente, sendo tão pequena, tem o potencial de crescer e de multiplicar-se.

Quando Deus acrescenta?

Amados irmãos, nós esquecemos alguns versículos da Bíblia e outros os interpretamos mal. Por exemplo, este: «E o Senhor acrescentava cada dia à igreja os que haviam de ser salvos» (Atos. 2:47). Quando alguém raciocina dizendo: «Para que vamos pregar? Se o Senhor quiser, ele acrescentará à igreja», este é um pensamento não inspirado pelo Espírito do Senhor.

Não entendamos mal as Escrituras, porque aquela igreja a qual o Senhor acrescentava filhos, era uma igreja que vivia a Palavra. No livro de Atos lemos que, embora alguns resistissem, o povo os tinham em grande estima (Atos 5:13), porque estavam vivendo o evangelho no poder do Espírito. Os irmãos se reuniam para orar e eram cheios do Espírito Santo. A semente era semeada pelo testemunho de vida da igreja e pela proclamação do evangelho, e as pessoas se convertiam. Não era algo automático: para colher, tem que semear.

E esquecemos de outro versículo: «Então as igrejas tinham paz por toda a Judéia, Galiléia e Samaria. E eram edificadas, andando no temor do Senhor, e se multiplicavam fortalecidas pelo Espírito Santo» (Atos 9:31). Estes eram tempos de normalidade, não tempos de seca. Quando chega a seca, não há semeadura nem colheita.

Aqueles eram tempos de normalidade; o rio de Deus estava fluindo. A igreja amava ao Senhor e era fiel obedecendo ao seu mandato: «Ide e pregai» (Mar. 16:15). Os servos tinham esse encargo. «Ai de mim se não anunciar o evangelho!» (1 Cor. 9:16). Que o Senhor nos recupere! O normal é que a igreja se multiplique. Se passarem anos e não batizamos ninguém, não deveríamos estar chorando e clamando?

Todos somos testemunhas da dor e da frustração de uma família estéril, esperando a vinda de um filho que nunca chega. Mas também somos testemunhas de irmãos que viram o milagre: «Irmãos, minha esposa está grávida! Um filho está a caminho!». Toda a igreja se enche de alegria. Amados, não nos acostumemos com a anormalidade, recuperemos a alegria de vermos pessoas de todas as idades render-se aos pés de Cristo. Sonhemos com conversões autênticas; que vejamos muitos pecadores recebendo a salvação poderosa de nosso Senhor.

Andando e chorando

«Irá andando e chorando o que leva a preciosa semente» (Sal. 126:6). Um comentarista diz que é difícil expressar a força desta palavra tal como foi inspirada. A ideia é «andar e andar», e nesse andar, choramos, levando a preciosa semente. É tão grande o que temos, e por causa de nós mesmos, esta semente não é compartilhada com suficiente poder. Mas vamos de novo, esta vez com mais lágrimas, semeando com esperança, até vermos o fruto do evangelho.

O Senhor não quer que estejamos num tratamento duro para sempre. Chegará um dia em que ele vai levantar a disciplina e nos dizer: «Agora, vão, encham o mundo, estão melhor preparados, fortalecidos, mais humildes de coração, dependendo de mim!», vivendo a vida corporativa, a realidade de Cristo, em comunhão uns com outros, humilhados diante do Senhor, para que o seu Espírito flua.

«Recebereis poder, quando vier sobre vós o Espírito Santo, e me sereis testemunhas em Jerusalém, em toda Judéia, em Samaria, e até os confins da terra» (Atos. 1:8). O Espírito foi dado para testificar. Porque o Espírito Santo utilizará até uma pequena palavra. E a preciosa semente que está em ti brotará naquele que a receber.

Nestes dias tem-nos sido dito que somos servos. Os servos obedecem. «Ide e pregai o evangelho». As igrejas que se multiplicavam, foi em pouco tempo; algumas talvez tivessem só alguns meses de pessoas convertidas. Mas se tiverem o tesouro, essa riqueza é notada em seu rosto, porque a sua boca se encheu de riso, porque grandes coisas tem feito o Senhor conosco, e então outros também irão querer ter o que você tem.

Fruto e aprovação

«Irá andando e chorando o que leva a preciosa semente». Choramos porque não semeamos bem, ou porque o fruto foi pouco, comparado com o potencial que tem. Andando e chorando, uma e outra vez. Se tão somente nos dispusermos, que quantidade de portas o Senhor irá abrir! Se ele te vir disposto, com o coração cheio, ele te utilizará e poderás falar com quem nunca pensou falar. «Mas tornará a vir com regozijo, trazendo os seus feixes». O servo fiel vai e semeia, e volta, cheio de gozo, trazendo a sua colheita.

A figura aqui é muito linda, especialmente se virmos que saímos para semear enviados por nosso Senhor Jesus Cristo, e quando «retornamos», somos os servos que voltamos para prestar contas diante dele. Como será aquele bendito dia que teremos adiante?

«E chegando o que tinha recebido cinco talentos, trouxe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, cinco talentos me entregou; aqui tem, ganhei outros cinco talentos sobre eles» (Mat. 25:20). Que maravilhoso! Fomos chorando e semeando, mas retornamos. Porque há um dia marcado, no qual você e eu viremos diante do nosso Senhor, e não queremos chegar com as mãos vazias como aquele outro servo negligente.

Se isto não nos quebranta, o que nos quebrantará? Como te apresentarás diante do Senhor? «Senhor, tu me deste o evangelho das inescrutáveis riquezas de Cristo, e eu cri. Tua palavra me transpassou, e eu me converti. E te amei e amei aos irmãos. Fui frágil, fui torpe, cometi muitos erros. Me perdoe por tudo, mas aqui venho, Senhor. Aqui tens o que é teu».

E o Senhor nos dirá: «Bem, servo bom e fiel». Amém.

Síntese de uma mensagem oral ministrada em Rucacura (Chile), em janeiro de 2019.

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