Apologética na era da pós-verdade

A batalha do crente contra ideologias seculares hostis ao evangelho de Cristo.

Ricardo Bravo

Os evangelhos e cartas de Paulo nos exorta de maneira frequente a pregar e ensinar o evangelho, sendo talvez a passagem mais citada aquela onde Jesus dá um mandamento aos seus discípulos, justamente antes de sua ascensão aos céus: «E lhes disse: Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura» (Mar. 16:15). Pregar o evangelho é sem dúvida alguma o principal trabalho que todo crente que segue a Cristo deve fazer. Este é o mandamento fundamental.

No entanto, a Bíblia também nos dá um mandamento de segunda ordem, e nos diz que devemos estar preparados para empregar defesa. Mas defesa do que? Devemos fazer defesa da fé, dos fundamentos cristãos. A Escritura destaca que temos que defender o que cremos (1 Ped. 3:15), temos que defender e confirmar o evangelho (Flp. 1:7), combater ardentemente pela fé (Jud. 1:3) e derrubar argumentos que se levantam contra o conhecimento de Deus (2 Cor. 10:4-5).

Deus precisa ser defendido? Obviamente Deus não requer que o defenda, mas quem precisa somos nós, os crentes. Todo crente terá uma forte batalha contra filosofias e correntes de pensamento seculares que são hostis ao evangelho de Cristo. E a batalha as vezes continua dentro de determinados agrupamentos de crentes, quando se introduzem ensinos que corrompem a sã doutrina.

A apologética então se entende como a defesa da fé cristã, e tem como propósito defender os princípios e fundamentos do evangelho e o ensino bíblico. Mas praticar apologética não é um assunto que está destinado exclusivamente aos cristãos eruditos ou aos teólogos. Todos os crentes devem saber como defender a sua fé.

O apóstolo Paulo mostra isso em Filipenses 1:7: «…na defesa e confirmação do evangelho, todos vós sois participantes comigo da graça».

Certamente que nem todos temos que ser peritos em apologética, mas todos deveríamos poder dar uma explicação razoável da fé cristã quando nos perguntarem, e defendê-la se for necessário. O que creio? E por que creio? Isto deve ser um exercício que devemos desenvolver para fazer defesa da nossa fé, adequada e firmemente, em um mundo que avança mais e mais sobre mentiras, muitas delas aceitas de forma deliberada, nesta era da pós-verdade em que nos cabe viver.

A era da pós-verdade, um dos últimos ataques maciços contra a fé

O impacto mundial deste novo conceito chamado pós-verdade tem sido tal, que o prestigioso dicionário inglês de Oxford o distinguiu em 2016 como a palavra do ano. Mas a força da pós-verdade (ou melhor dizendo, da mentira disfarçada como verdade) continuou mostrando-se forte até o fim de 2017. A RASPA (Real Academia Espanhola da Língua) incluiu-a em seu dicionário, definindo-a assim: «Pós-verdade = Distorção deliberada de uma realidade, com o fim de criar e modelar a opinião pública e influenciar nas atitudes sociais, em que os atos objetivos têm menos influencia que as apelações às emoções e às crenças pessoais».

Já desde 2003 a RASPA vinha reunindo antecedentes deste neologismo chamado pós-verdade, e então depois de 14 anos decide aceitá-lo como um conceito totalmente válido, o qual se instalou profundamente na cultura de língua hispano. Os ingleses já o tinham feito um ano antes.

Hoje, as redes sociais têm um potencial técnico enorme para converter em «verdade» qualquer mentira. Isto é muito grave no âmbito social e relacional das escolas, universidades, empresas, igrejas, ou de qualquer grupo humano. Quase todo mundo conta hoje com um telefone celular ou tablet, o que dá acesso em tempo real a eventuais notícias falsas, difamações ou injúrias a respeito das pessoas, dos seus companheiros, familiares, etc... Parece incrível, mas muito poucos procuram indagar em fontes primárias se uma determinada notícia é ou não verdadeira. Muitos jovens costumam dizer que acreditam mais na Internet ou no YouTube que em outra fonte. É uma referência para eles nesta era na qual vivemos.

Esta era da pós-verdade já está gerando consequências desastrosas. Um estudo pediátrico publicado em junho de 20191  mostra que o suicídio é a segunda causa de morte nos EUA, entre adolescentes e jovens entre 10 e 18 anos, sendo aos 13 anos a idade média de meninos com ideias suicidas.

Segundo o Professor de Psiquiatria da Escola de Medicina de Harvard, Dr. Gene Beresin, este grave problema do suicídio afeta a todas as idades, mas o grupo mais vulnerável são os meninos e os adolescentes. Os dados dos estudos realizados apontam para duas variáveis como as principais causas; um é o aumento da pressão acadêmica e a segunda, é a proliferação de redes sociais, onde aumentam as injúrias, calúnias e o 'ciberbullying'. Nem todos os meninos e adolescentes têm a maturidade suficiente para suportar esses embates de mentiras difundidos para milhões de telefones celulares.

Como defender a verdade em uma era povoada de mentiras?

Na atualidade, a fé cristã é a que recebe mais ataques no mundo, muito acima do islamismo ou do judaísmo. Um dos maiores alvos dos ataques é ao livro bíblico de Gênesis. Esta é uma estratégia fundamental dos inimigos de Cristo, porque caso destruam o Gênesis, então destruirão as origens, os fundamentos, e a própria estrutura básica do evangelho (Gên. 3:15) ficará fortemente danificada.

Mas também são anuladas a criação do universo a partir de um nada, a criação da Terra como um planeta planejado especialmente para abrigar vida, a criação do ser humano a imagem de Deus, a criação dos seres vivos segundo o seu gênero. Tudo isto é explicado apenas academicamente, a partir de teorias naturalistas, anulando a explicação bíblica.

Quando cristãos liberais e sincretistas mostram que o livro de Gênesis não é literal, mas apenas uma poesia, estão ajudando fortemente a esta estratégia inimiga da pós-verdade. Mas Cristo avalizou várias vezes o Gênesis como literal e não poético.

O Senhor Jesus Cristo corroborou categoricamente o dilúvio global como um fato real (Luc. 17:26-27), avalizou a criação especial e sobrenatural do homem e da mulher no começo do processo de criação (Mar. 10:6), e disse aos seus discípulos que deviam crer nos escritos do livro da Gênesis, porque o seu autor (Moisés), escreveu Dele (João 5:46-47). Cristo avaliza os atos escritos em Gênesis como sendo dirigidos pelo Espírito Santo, e lhes diz «...de mim escreveu ele (Moisés). Mas se não creiais em seus escritos, como crerão em minhas palavras?».

Cristo mostra aqui o fundamental dos escritos de Gênesis, porque Ele foi o Criador dos prodigiosos atos que ali se relatam, porque Gênesis relata a queda do ser humano em desobediência, a qual arrastou à Criação, e nos relata também a maravilhosa promessa de seu sacrifício redentor que reconcilia o ser humano com Deus. Tudo isso constitui o contexto e as bases do evangelho. Sem este contexto, sem essas bases, o evangelho fica fortemente enfraquecido.

Desejamos crer em Cristo? Necessariamente devemos crer nos escritos de Gênesis, porque este livro fala Dele. No Novo Testamento existem mais de 200 menções de citações de Gênesis, ou a referências do livro da Gênesis, principalmente dos primeiros onze capítulos, onde a maioria delas são referências a situações reais, não poéticas nem figuradas.

Defesa e confirmação do Evangelho

Biblicamente contamos com uma referência parecida com a que estamos descrevendo para a igreja de hoje. Foi experimentada pelos crentes de Éfeso no primeiro século de nossa era. Éfeso era uma importante cidade comercial e religiosa do império greco-romano, mas ao mesmo tempo muito imersa nas mentiras diabólicas da imoralidade e das ciências ocultas como caminho para o conhecimento.

Como o apóstolo Paulo e seus discípulos puderam defender e confirmar o evangelho em Éfeso, sendo um ambiente tão hostil? Em Atos 19:1-7 é relatado que os discípulos ali não tinham confirmado a sua fé, nem sabiam os rudimentos básicos do evangelho. Nessas condições, os novos crentes de Éfeso não podiam defender adequadamente a sua fé, nem confirmá-la entre os irmãos.

A confirmação requer obediência e instrução, mas a defesa utiliza outros métodos, porque se enfrenta uma visão contrária e hostil ao evangelho. Portanto, é necessário estar equipado para uma confrontação e discussão, mas esta última deve ser entendida como um intercâmbio passivo de ideias, de opiniões, sem violência nem agressividade, mas com persuasão.

Todos os crentes são exortados a participar da defesa e confirmação do evangelho (Flp. 1:7), sustentados pela graça de Cristo, para fortalecer a fé, devendo pôr o foco de atenção só no evangelho de Cristo e na sua Palavra evitando cair em sincretismos entre evangelho, como verdade eterna e imutável, e as teorias e filosofias humanas, fortemente reducionistas e em constante mudança.

Como aplicar a apologética?

A apologética começa tendo como base a autoridade da palavra de Deus; portanto, tem que ser uma apologética bíblica. Não se apoia no entendimento imperfeito e limitado do ser humano (Rom. 1:21) para «verificar» a veracidade da palavra de Deus; pelo contrário, assume-a desde o princípio como a verdade única e completa.

A apologética bíblica não deve apoiar-se no conhecimento humano como autoridade absoluta, visto que este conhecimento pode mudar em função de novas descobertas. Não obstante o anterior, a apologética pode utilizar evidências validadas cientificamente, que considerem estudos variados, idealmente independentes, para que as hipóteses deem lugar ao conhecimento com base teórica real e não especulativa.

Por exemplo, o como explicar a grande quantidade de água do planeta Terra, foi sempre um grande problema para a ciência, e por muito tempo houve uma hipótese científica altamente especulativas que mostravam que a água da Terra tinha sido trazida por meteoritos. Hoje, múltiplos estudos afirmam que o ciclo da água é muito mais complexo do que se sabia, mas que só está circunscrito ao nosso planeta (não intervindo por meteoritos).

O fato que nosso planeta tenha muitíssima água em sua superfície (os oceanos e mares), e que apesar do uso da água em superfície, esta segue permanecendo, explica-se porque vai sendo renovada por água que surge das profundezas abissais do centro da Terra, por causa da atividade tectônica vulcânica 2, 3, 4. Então, esses novos achados com informação científica validada independentemente, avalizam fortemente o que foi mostrado na Bíblia a respeito da «ruptura do grande abismo» (por atividade tectônica vulcânica) de onde flui a água para a superfície (Gên. 7:11).

A hipótese do meteorito que teria trazido a água para a Terra se apoiava mais em especulação que em dados corroborados cientificamente. As evidências atuais tendem a concordar, de maneira não forçada, o que a Bíblia já mostrava há milhares de anos a respeito de como se iniciou o dilúvio, e de onde proveio essa enorme quantidade de água que cobriu a Terra, visto que os achados atuais mostram que a água debaixo do manto terrestre seria 8 ou 10 vezes a existente na superfície, somando todos os oceanos. Só este feito nos fala da segurança e infalibilidade da palavra de Deus e de quão variáveis podem ser as teorias e explicações humanas.

A apologética apela também à historicidade dos relatos bíblicos, respaldados pelas evidências arqueológicas; mas não deveriam dar mais relevância a estas evidências que ao relato bíblico, porque às vezes determinadas evidências arqueológicas podem também falhar. A apologética bíblica sempre deve considerar à palavra de Deus como a fonte fundamental de conhecimento, mesmo que não haja evidências respaldadas com conhecimento humano.

O apóstolo Paulo em seu discurso em Atenas nos dá uma pauta importante de como funciona a apologética. Logo depois de dominar o seu espírito acalorado pela grande idolatria dos atenienses (Atos. 17:16-18), ele discutia (argumentava em defesa da fé) na sinagoga com judeus e piedosos, e na praça com filósofos gregos epicureus e estoicos. Mas para argumentar adequadamente a favor da fé, ele tinha que conhecer quem estava à frente; judeus, piedosos, epicureus e estoicos tinham cada um o seu próprio sistema de crenças.

A Escritura citada não se refere explicitamente a discussão que teve com judeus e piedosos, mas mostra detalhes com respeito ao diálogo com os pensadores gregos. Os filósofos epicureus e estoicos se sentiram desafiados pelo apóstolo Paulo, a tal ponto que o tomaram e o levaram ao areópago (17:19). Não lhe perguntaram se queria ir ou não, simplesmente pegaram e o levaram, sem lhe dar tempo para pedir alguns rolos da Escritura que lhe permitissem talvez lembrar de passagens chaves, antes de fazer o seu discurso.

O areópago grego era um tribunal onde se faziam conferências de altíssimo nível para os intelectuais de Atenas na Grécia. Hoje seria algo assim como ser convidado a célebre Universidade do Harvard dos EUA, a dar uma conferência sobre os nossos fundamentos de fé.

Mas o apóstolo Paulo sabia quem eram os epicureus e os estoicos, conhecia a sua cultura, a sua literatura, a sua forma de pensar, e em razão disso aborda a discussão. Isso sugere que a estratégia de argumentação deveria ser em relação com quem serão os ouvintes. Paulo cita inclusive a autores e poetas gregos. Pega parte da cosmovisão errada dos gregos e sabiamente a dirige para o argumento que ele os quer apresentar, e mostra-lhes qual era o único Criador de tudo e também o Redentor e Salvador Jesus.

O apóstolo Paulo utiliza um argumento impossível de ser rebatido, pelo menos durante a primeira parte do seu discurso. Ele lhes diz que venham se apresentar ao Deus que já adoram sem o conhecer, porque tinha visto em um dos santuários um altar, entre um alto número de deidades gregas, o qual tinha a inscrição «AO DEUS DESCONHECIDO» (17:23). Como rebater isto? Ele lhes diz «Não vos trago nada novo, apenas trato do próprio Deus que vocês já adoram». Paulo aponta aqui para o raciocínio dos gregos em primeiro lugar para poder entrar com o seu discurso, e mais adiante, fala-lhes ao coração, quando lhes faz o convite (17:30-31).

O apóstolo Paulo e a apologética bíblica

Em Atos 17, o apóstolo Paulo dá por encerrado que Deus existe, que é todo-poderoso, Criador de tudo o que existe, e que é também o nosso Redentor e Salvador. Não tenta apresentar provas a respeito de Deus e dos seus poderosos atributos, senão que os assume a priori. Tampouco usa uma apologética apoiada em seu testemunho, embora tenha feito isto em outras instâncias, como por exemplo quando teve que defender-se diante do rei Agripa, relatando o seu testemunho de conversão, dizendo-lhe: «Não fui rebelde a visão celestial» (Atos. 26:19).

Em sua defesa da fé diante dos gregos, Paulo mostra a eles passagens do Antigo Testamento; fala-lhes com a verdade, utilizando «...a espada do Espírito, que é a palavra de Deus» (Ef. 6:17). Isto é fundamental no exercício apologético.

Uma das conclusões que precisamos obter desta profunda passagem bíblica, é que ao levar a mensagem de Cristo aos não crentes enfrentamos várias cosmovisões, a diferentes sistemas de crenças. O homem não crente está submerso em seus pecados e não pode entender as coisas espirituais (1 Cor. 2:14). Então, não importa quão convincentes sejam as evidências ou as razões lógicas que coloquemos diante deles, porque simplesmente não podem ver, nem podem entender, por causa da sua natureza caída.

Os argumentos evidenciais e racionais podem ser necessários em uma primeira etapa, para revolver os fundamentos errados dos não crentes; mas isto é só uma ferramenta inicial, só um meio, nunca um fim. O fim será conduzi-los a Cristo; mas isso só ocorrerá por meio da ação do Espírito Santo no coração das pessoas, aquelas pessoas que são confrontadas pela espada do Espírito, a palavra de Deus. É desta forma que chegam as boas notícias do Evangelho.

O axioma primário da apologética bíblica é que devemos assumir a existência de Deus e sua verdade eterna, sem questionamentos, nem tentar prová-la. Aquele que se aproxima de Deus deve crer que Ele existe (Heb. 11:6). Mas também as consideráveis evidências do plano e propósito do imensurável universo (Salmos 8 e 19), até a fabulosa informação codificada escrita em nossos genes (Salmo 139), permitem-nos conhecer o excelso poder de Deus e sua divindade (Rom. 1:20).

Este último dá origem a uma apologética que também considera evidências, porque é a própria Escritura que nos desafia neste sentido («...seu eterno poder e divindade… entendidas por meio das coisas criadas...»). No entanto, não é para colocar essas evidências à prova, mas para assumi-las como uma verdade.

Apologética no colégio e universidade

O fracasso, e a consequente crise de fé, que muitos estudantes cristãos experimentam hoje se deve a que não formularam como defender a sua fé, o que creem e por que creem. O secularismo acadêmico lhes inculca que a Bíblia é uma coletânea de mitos, e a teologia liberal os ensina que Gênesis é uma coleção de poesias e metáforas.

O ensino bíblico sobre o primeiro homem Adão, como uma pessoa histórica e real que trouxe morte e corrupção à criação de Deus, é substituída com a versão evolutiva da história.

É claro que os fundamentos dos jovens cristãos devem estar firmes para defender a sua fé e rebater esses argumentos falaciosos opostos a Cristo e seu evangelho, os quais devem ser derrubados (2 Cor. 10:4-5).

O apóstolo Paulo escreve em Romanos 1:20 que as provas do projeto de Deus na natureza são tão avassaladoras, que todos estão sem desculpa. No entanto, os estudantes são levados a crer que não é necessário um arquiteto para explicar o projeto na natureza. Por outro lado, os evolucionistas teístas negam que a evolução seja essencialmente ateia, mas a dinâmica por trás de todas as teorias evolutivas é explicar todas as coisas só na base dos processos naturais (Naturalismo metodológico), sem necessidade da intervenção sobrenatural de um Deus Criador.

Foi relatado nos Estados Unidos que mais de 90% dos estudantes de uma universidade cristã mudaram a sua posição de criacionismo literal para a evolução teísta depois de assistir um curso sobre evolução5. Tal é a influência das teorias evolutivas naturalistas nos estudantes, que podem estar em uma muito forte crise com respeito aos seus fundamentos, como estão hoje6,7, seus elementos ideológicos, respaldados pela academia, seguem sendo considerados como uma verdade.

O propósito da apologética é glorificar ao Senhor

Embora um dos objetivos secundários da apologética bíblica seja eliminar as barreiras intelectuais que impedem às pessoas não crentes de abrir o seu coração para a verdade do evangelho e de Cristo, o seu objetivo principal e primário é glorificar ao Senhor. Portanto, a apologética não é para criar uma competição em conhecimento com os irmãos. Tampouco é para esmagar a um eventual oponente não crente, porque ainda que se possa impor o argumento apologético sobre o argumento secular, de nada servirá se a pessoa não crente ficar incomodada ou zangada por causa do nosso comportamento agressivo. A defesa deve ser sempre com mansidão, com persuasão.

A defesa e a disputa pela fé podem ser usadas em ocasiões nos meios culturais, filosóficos ou científicos mais ou menos complexos, como fez o apóstolo Paulo diante dos filósofos gregos em Atenas, quando cita os seus autores clássicos, o que certamente deve ter pego de surpresa os epicureus e estoicos presentes no areópago. Mas isto é apenas um meio, se o Senhor o permitir, dependendo das circunstâncias. Nunca pode ser o propósito final.

O fim do discurso apologético é levar a luz de Cristo e seu evangelho para aqueles que se encontram imerso em trevas, enredados em emaranhados teóricos e filosóficos, as quais são um caminho de morte, longe de Cristo. Mas este difícil trabalho só o Espírito Santo pode fazer. A luta, portanto, não é intelectual nem de graus de conhecimento. Definitivamente, a batalha é espiritual.

O apóstolo Paulo tinha um alto nível de conhecimento secular e religioso, dominava vários idiomas, era considerado um sábio da época. Mas tudo isto ele considerava como lixo, por causa da excelência do conhecimento de Cristo (Flp. 3:8).

No entanto, ele, mais de uma vez, utilizou o seu conhecimento de idiomas ou sua vasta cultura, como fez diante dos filósofos gregos, se dirigindo a eles em grego e citando a eles os seus próprios autores, mas o utilizou tendo como fim o glorificar a Cristo, nunca procurando sua vangloria pessoal.

Portanto, a pratica da apologética é única e exclusivamente para glorificar ao Senhor. Quem a usa não pode levar uma porcentagem da glória, porque mesmo que tivéssemos feito tudo, não somos mais que servos inúteis. Nada nos pertence, tudo é do Senhor e para ele.

Nossos talentos, nossas capacidades, nosso conhecimento, etc... não são na realidade nossas; tudo isso foi o Senhor que nos deu. Do que temos que nos gloriar, então? Mas o inimigo é ardiloso, e está acostumado a mover contra nós esta tendência humana de procurar reconhecimento.

Com firme denodo diante da pós-verdade

Denodo é uma palavra que quase não é utilizada hoje, talvez porque não cabe em uma sociedade relativista e permissiva. Denodo significa agir ou falar com valentia, com coragem, com decisão. Não faz muito sentido falar com coragem em nossa cultura atual da pós-verdade, ou onde se negociam verdades por expressões que são ‘politicamente corretas’.

Como fazer o evangelho conhecido no meio de uma cultura imersa em falácias filosóficas a respeito da vida, do ser humano e sua sexualidade, etc..., onde chamam bom aquilo que não é? A forte pressão cultural anticristã hoje, institucionalizada e validada por leis, pode gerar uma tendência a não se falar do evangelho com coragem, e a suavizar e inclusive anular certos aspectos do ensino bíblico que se consideram adversos ou não condizem com os pensamentos modernos. No entanto para um cristão sempre será imprescindível obedecer antes a Deus e a sua Palavra do que aos homens.

É evidente que por trás deste fenômeno cultural e social chamado pós-verdade se encontram as forças malignas inimigas de Cristo e sua verdade. Isto é fácil deduzir a partir da própria Escritura, que nos diz que a verdade nos fará livres (João 8:32). A era da pós-verdade, ou a era da mentira, é exatamente o contrário, escraviza o ser humano, e não pode senão ser uma obra do «pai das mentiras».

O suicídio adolescente nos EUA, é uma crua realidade gerada em parte pela era da pós-verdade; mas há consequências mais nefastas ainda, como o é o assassinato espiritual maciço, por negar ou transtornar verdades bíblicas fundamentais.

Diante deste último, fazer defesa da fé em nosso tempo não é opcional, mas imperativo, mesmo que isso se torne cada vez mais difícil. Não obstante, não estamos sós nesta batalha e temos uma promessa gloriosa da qual nos agarrar, aquela que pronunciou o Senhor antes da sua ascensão ao Pai: «...e eis que eu estou convosco todos os dias, até o fim do mundo» (Mat. 28:20).

Bibliografia

1. Burstein B., H. Agostino, B. Greenfield. 2019. Suicidal Attempts and Ideation among Children and Adolescents in US Emergency Departments, 2007-2015. COME Pediatrics. June, Volume 173, Number 6.
2. Schmandt B, S. Jacobsen, T. Becker, Z. Liu, K. Dueker. 2014. Dehydration melting at the Top of the lower mantle. Science 344, 1265; DOI: 10.1126/science.1253358.
3. Garnero E. And A.  McNamara. 2008. Structure and Dynamics of Earth’s Lower Mantle. SCIENCE, Vol. 320, Pag. 626-628.
4. Pearson D. Et ao. 2014. Hydrous mantle transition zone indicated by ringwoodite included within Diamond. Nature. Vol. 507, pague 221-228.
5. Winslow M. J. Staver, & L. Scharmann. 2011. Evolution and pessoal religious belief: Christian university biology-related majors’ search for reconciliation. Journal of Research in Science Teaching, 48(9), 1026–1049. Doi: 10.1002/tea.20417.
6. Denton M. 2016. Evolution: Still Ao Theory In Crise. Edit. Discovery Inst. 354 pág.
7. Blute M. 2017. Three Modes of Evolution by Natural Selection and Drift: A New or an Estendam Evolutionary Synthesis? Biol Theory, 12:67–71 DOI 10.1007/s13752-017-0264-8.

Design downloaded from free website templates.